Caso Master: Suspeito preso horas antes em operação tenta tirar a própria vida em cela da PF

Política

A Polícia Federal informou na tarde desta quarta-feira (04) que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, de 43 anos, um dos presos na terceira fase da Operação Compliance Zero, atentou contra a própria vida enquanto estava sob custódia na Superintendência Regional da PF em Minas Gerais.

Conhecido como “Sicário”, Mourão havia sido preso horas antes, em Belo Horizonte, durante nova etapa da investigação que apura um suposto esquema de intimidação, coleta clandestina de informações e fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e seus adversários.

Em nota divulgada às 16h55, a PF afirmou que, ao tomarem conhecimento da situação, policiais federais que estavam no local prestaram socorro imediato, iniciando procedimentos de reanimação e acionando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A equipe médica deu continuidade ao atendimento ainda na sede da corporação, e o custodiado foi encaminhado à rede hospitalar para avaliação e cuidados médicos.

Segundo a corporação, o ocorrido foi comunicado ao gabinete do ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), e todos os registros em vídeo que demonstram a dinâmica dos fatos serão entregues à Corte.

A PF informou ainda que será instaurado procedimento apuratório para esclarecer as circunstâncias do caso.

Prisões na terceira fase da operação

Mais cedo, a PF havia cumprido dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão em Minas Gerais, seis na Região Metropolitana de Belo Horizonte e um no interior do estado, cuja cidade não foi divulgada.

As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

Além de Mourão, também foi preso Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado. De acordo com os investigadores, ele teria atuado no núcleo de coerção ligado ao empresário Daniel Vorcaro, com participação na obtenção de informações sensíveis.

Suspeitas de intimidação e acesso ilegal a sistemas

Segundo a PF, Luiz Phillipi era apontado como coordenador de segurança de Vorcaro e líder operacional de um grupo denominado “Turma”, responsável por planejar ações de vigilância e intimidação contra pessoas consideradas adversárias do Banco Master.

As investigações indicam que ele teria obtido informações sigilosas de forma clandestina por meio de acessos indevidos a sistemas da própria PF, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como o Federal Bureau of Investigation (FBI) e a Interpol, utilizando credenciais de terceiros.

Ainda conforme a corporação, o investigado também coordenava monitoramento presencial de alvos e adotava expedientes fraudulentos para remover conteúdos críticos ao grupo em plataformas digitais.

Esquema financeiro e outras prisões

A Operação Compliance Zero também apura um suposto esquema financeiro envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. As investigações contam com o apoio do Banco Central do Brasil.

Outro investigado, Zettel, já havia sido preso em janeiro, quando se preparava para embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a partir do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

Além das prisões realizadas em Minas nesta quarta-feira, o STF expediu outros dois mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, no âmbito da mesma operação.

A defesa dos citados não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.