Florianópolis – A diarista Carla Maria Pedro, de 27 anos, emagreceu 96 quilos com exercícios e aulas de zumba em Florianópolis. Ela fez três tentativas de cirurgia de redução de estômago pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que precisaram ser canceladas pela descoberta de três gestações.
“As três gestações eram de alto risco. Em uma delas [a criança] precisou nascer com 8 meses, porque eu tive eclampsia”, conta a diarista, sobre uma doença relacionada a pressão alta. Atualmente, ela pesa 106 quilos.
As tentativas de emagrecimento começaram quando ela tinha 14 anos e pesava 126 quilos. Recentemente, ela atingiu 202 quilos. Após todo o peso perdido, a mulher voltou a fila do SUS para tentar uma cirurgia de reparação de pele.
Obesidade desde a infância
Carla lembra que a obesidade esteve presente desde a infância, e a compulsividade fez com que ela comesse de maneira irregular e escondida. “Era uma coisa que não se resolvia, a situação não mudava. Então, teve um tempo que eu comecei a usar a violência física pra tentar conquistar um respeito, eu me sentia um ser de outro mundo”, lembra.
Na adolescência, enfrentou problemas para falar com outras pessoas e andar no transporte público. Nutricionistas e endocrinologistas foram consultados para tentar ajuda-la.
“Era constrangedor, eu não conseguia passar a catraca. Precisava ficar na parte da frente e as pessoas começavam a me olhar diferente. Se eu tivesse que sair na rua e visse um grupinho de pessoas, eu já achava que estavam falando de mim”, conta.
A decisão de emagrecer
No início do processo de emagrecimento, ela pesava 190 quilos. Após a terceira tentativa frustrada de cirurgia de redução de estômago, Carla entrou em depressão. A situação agravou a alimentação compulsiva.
“Aquilo ali pra mim foi o fundo do poço. E eu tinha que levar meus filhos na creche, tinha que levar minha filha na porta da escola e sentia os olhares das crianças e dos pais, às vezes rolavam alguns comentários e eu sentia vergonha”.
A mudança começou de fato com uma melhora na escolha dos alimentos e na prática de exercícios físicos. “Melhorei minha alimentação e comecei a comer pouco, com bastante verduras. Comecei a caminhar aos pouquinhos e frequentei aquelas academias ao ar livre que também me ajudou muito, até que eu cheguei a pesar 150 quilos”, lembra.
Ela pensou novamente em desistir pelo preconceito diário, até que encontrou a zumba. “No começo tive medo de fazer a aula experimental e não ser aceita pelas colegas da aula, até que em setembro de 2018 eu criei coragem e fui”, lembra.
“Eu sai completamente apaixonada pela primeira aula e ai eu quis voltar. Aos poucos a aula de zumba devolveu a minha autoestima de mulher, a minha alegria de viver”.
Carla ainda conta que conforme foi emagrecendo e tendo o apoio da família, das colegas de zumba e da professora, voltou a se aceitar. A obesidade fez com que ela não se olhasse no espelho e tivesse vergonha de se arrumar.
“Hoje eu frequento reuniões, converso e não tenho vergonha de dançar na frente de desconhecidos, sou uma pessoa realizada. Realizada é a palavra que define tudo”, conclui.






