Se promessa é dívida, como diz o ditado popular, a da Chapecoense está paga. Em 5 de dezembro de 2019, quando já estava rebaixado à Série B do Brasileiro, o clube do Oeste catarinense publicou no Twitter: “Durmam com Deus, Indiarada. E salvem esse tweet: daqui a um ano, estaremos comemorando a conclusão de uma temporada vitoriosa e grandiosa, tal qual a nossa história!”.
Por causa da paralisação do calendário provocada pela pandemia do coronavírus, a agenda de 2020 não terminou, mas a temporada conforme prometido pelo Verdão foi “vitoriosa e grandiosa”. Pouco mais de um ano após amargar o descenso a Chape está de volta à elite do futebol nacional. O retorno foi garantido na noite desta terça-feira (12), após a vitória por 2 a 1 sobre o Figueirense, na Arena Condá, em Chapecó, pela 34ª rodada da segunda divisão.
O acesso, antes virtual, agora é matemático. O time verde-branco foi a 66 pontos e não pode mais ser alcançado pelo quinto colocado, o Juventude, com 52. Além de fazer o dever de casa, a equipe do técnico Umberto Louzer dependia de tropeço justamente do Alviverde gaúcho ou CSA. A Chapecoense abriu 14 pontos de vantagem, faltando 12 (quatro rodadas) a serem disputados. Quem também subiu foi o América-MG, que empatou com o Náutico e soma 67 pontos.
A volta ao Brasileirão dará fôlego para a diretoria tratar as dívidas. O passivo do Verdão chega a pelo menos R$ 113 milhões, conforme informação divulgada na última reunião do conselho deliberativo, em novembro. A cota de TV na Série A deve passar dos R$ 40 milhões. A situação continuará difícil, mas aumentará o poder de negociação.
A ascensão surpreendeu. Com as finanças do clube abaladas, a direção traçou uma meta modesta na Série B: permanecer. Porém, o time evoluiu após a contratação do técnico Umberto Louzer, que chegou em fevereiro com a Chape na zona de rebaixamento do
Catarinão, e embalou após a retomada das competições. Foi campeão estadual e agora, superando as expectativas iniciais, retornou à Série A, para alegria da torcida.
O céu também está em festa. O presidente da Chapecoense, Paulo Magro, que morreu no dia 30 de dezembro, dita as comemorações com os guerreiros que nos deixaram em novembro de 2016. Paulo Magro conduziu o Verdão com muita responsabilidade e competência. Esse acesso é para você.
O JOGO
O Figueirense começou a partida envolvendo a Chapecoense em jogadas de velocidade. Criou duas chances claras para abrir o placar em menos de cinco minutos. O Verdão não conseguia encaixar a marcação. Ficava exposto na defesa toda vez que era desarmado no ataque.
A equipe do Oeste catarinense só foi levar perigo aos alvinegros a partir dos 20 minutos e, na segunda oportunidade que teve, não desperdiçou. Gol que saiu da cabeça de Paulinho Moccelin, aos 21 minutos. O atacante ficou fora do último jogo – derrota por 3 a 0
para o Botafogo-SP, em Ribeirão Preto – após participar de festa dias depois da morte do presidente Paulo Magro. O confronto ficou lá e cá. Aberto. Franco. Os donos da casa poderiam ter ampliado a vantagem como sofrer o empate. Os anfitriões perderam o
volante Anderson Leite ainda na primeira etapa, com dores na panturrilha.
O segundo tempo se manteve eletrizante, repleto de alternativas. O Figueira assustou, mas foi o clube verde-branco que balançou a rede novamente: Derlan, aos 20 minutos. O time da capital diminui o ímpeto, e o jogo ficou sob controle para a Chape. Porém, o adversário descontou de pênalti, com Diego Gonçalves, aos 38, mas a reação parou por aí. Final: 2 a 1.
CHAPECOENSE 2×1 FIGUEIRENSE
Chapecoense: João Ricardo; Matheus Ribeiro, Felipe Santana, Derlan e Roberto; Willian Oliveira, Anderson Leite (Ronei) e Denner (Lucas Tocantins); Mike (Aylon), Perotti (Alan Santos) e Paulinho Moccelin (Foguinho). Técnico: Umberto Louzer.
Figueirense: Rodolfo Castro; Thiaguinho, Guilherme Thiago, Vitor Mendes e Renan Luís; Arouca, Matheus Neris (Alemão) e Dudu (Erison); Diego Gonçalves, Geovane Itinga (Alecsandro) e Bruno Michel (Guilherme Teixeira). Técnico: Jorginho.
Arbitragem: Jean Pierre Goncalves Lima, auxiliado por Leirson Peng Martins e Mauricio Coelho Silva Penna – trio do Rio Grande do Sul.
Gols: Paulinho Moccelin (C), aos 21 do 1º tempo; Derlan (C), aos 20, e Diego Gonçalves (F), aos 38 minutos do 2º tempo.
Cartão amarelo: Umberto Louzer (C).
Público e renda: Jogo sem torcida por causa da pandemia do coronavírus.
Local: Arena Condá, em Chapecó (SC). Data: 12 de janeiro de 2020.
PRINCIPAIS LANCES
Primeiro tempo
1 min – Figueirense: Geovane Itinga é acionado pela direita e cruza para Bruno Michel, que é travado na finalização, na cara de João Ricardo. Escanteio.
3 min – Figueirense: Após furada de Felipe Santana, Diego Gonçalves fica com a bola e serve Geovane Itinga, que chuta na grande área para João Ricardo salvar.
20 min – Chapecoense: Em jogada envolvente, Paulinho Moccelin cruza para o meio da grande área, mas Rodolfo Castro espalma para tirar de Perotti, livre.
GOL! 21 min – Chapecoense: Em cobrança de escanteio ensaiada, Matheus Ribeiro levanta para a grande área e Paulinho Moccelin, livre, testa com firmeza para a rede.
25 min – Figueirense: Após escanteio, a defesa verde-branca afasta e a bola sobra para Renan Luís. Ele experimenta de longe e exige grande de João Ricardo.
27 min – Figueirense: Diego Gonçalves descola cruzamento da direita. Giovane Itinga desvia de cabeça na cara de João Ricardo. Sorte que a bola vai pelo lado.
28 min – Chapecoense: Ronei, que recém havia entrado, solta a bomba. Paulinho Moccelin pega o rebote, livre, na cara do gol, mas para em Rodolfo Castro.
32 min – Chapecoense: Perotti toca para Paulinho Moccelin, que faz belo cruzamento para Mike. Sozinho e na cara do goleiro, o atacante cabeceia para fora.
Segundo tempo
4 min – Figueirense: Diego Gonçalves recebe no lado direito e bate cruzado, da direita. A bola passa rasteira, raspa a trave e sai pela linha de fundo.
6 min – Chapecoense: P. Moccelin puxa contragolpe da meia-lua da defesa, dispara até a grande área e toca para Matheus Ribeiro, que bate em cima do goleiro.
9 min – Chapecoense: Roberto avança pelo lado esquerdo, invade a grande área em velocidade e fuzila de esquerda. Rodolfo Castro espalma para escanteio.
10 min – Chapecoense: Após recuperada de bola no campo de ataque, Denner sai da marcação e solta o petardo de fora da grande área. Passa raspando a trave.
13 min – Figueirense: Arouca tabela pela direita, entra na grande área e cruza à meia altura. Erisson fecha no primeiro pau e escora. A bola bate na trave e sai.
GOL! 20 min – Chapecoense: Falta pela esquerda. Paulinho Moccelin cobra fechado. Rodolfo Castro defende, mas não agarra. Derlan aparece para empurrar com o pé.
GOL! 38 min – Figueirense: Árbitro marca toque de mão de Derlan na grande área, após escanteio. Pênalti. Diego Gonçalves cobra no meio, goleiro vai no canto.
(Reportagem Diário do Iguaçu)




