A ficha já havia caído. O torcedor da Chapecoense tinha consciência de que a queda para a Série B do futebol brasileiro era inevitável. Faltava a confirmação matemática. Imaginava-se que o rebaixamento na Série A nacional poderia ao menos ser evitado nesta rodada, a 35ª, na Arena Condá. Não foi o que aconteceu.
O clube do Oeste catarinense perdeu por 1 a 0 para o Botafogo, na noite desta quarta-feira (27), e está matematicamente rebaixado para a segunda divisão. Foram seis temporadas consecutivas na elite. O acesso foi conquistado no dia 16 de novembro de 2013, no empate por 1 a 1 com o Bragantino, em Chapecó. O Índio ignorou os prognósticos e fugiu do descenso em 2014. Manteve-se sem sustos em 2015 e 2016. Em 2017 foi além: faturou vaga à Libertadores. Sofreu em 2018, mas escapou da degola.
O técnico Marquinhos Santos mexeu em quatro posições no comparativo com a vitória sobre o Avaí, na última rodada. Saíram Hiago (suspenso), Gustavo Campanharo, Camilo e Arthur Gomes – estes, por opção –, para as entradas de Maurício Ramos, Amaral, Renato e Henrique Almeida. As mudanças deixaram o time sem meia de armação. Renato e Roberto, que são jogadores de lado, ficaram encarregados da construção das jogadas.
A proposta do comandante verde-branco não funcionou. A equipe atuou de forma intensa, mas sem criatividade. A única chance real de gol dos anfitriões surgiu apenas aos 45 minutos, em lance de profundidade pela lateral direita. Roberto recebeu cruzamento de Eduardo e chutou por cima. O Alvinegro carioca também não empolgou e levou perigo somente uma vez. O resultado de 0 a 0 traduziu bem o que foi primeiro tempo.
O Verdão voltou do intervalo mais ofensivo. Assustou o goleiro da seleção paraguaia Gatito Fernández em duas oportunidades nos primeiros cinco minutos da segunda etapa, mas quem abriu o placar foram os visitantes. Atacante Rhuan aproveitou erro do zagueiro Maurício Ramos para balançar a rede, aos 8. Foi o primeiro gol do atleta de 19 anos como profissional. Ele mostrou frieza para superar o camisa 1 dos donos da casa.
Bateu o desespero nos jogadores da Chape. Partiram para cima, mas de maneira desorganizada. A falta de lucidez no ataque facilitou a tarefa dos botafoguenses. O adversário recuou para tentar encaixar um contra-ataque e “matar” o jogo. Não teve sucesso em sua intenção, mas ao menos soube segurar os avanços dos cariocas. Final: derrota por 1 a 0 e rebaixamento matemático à Série B de 2020.
CHAPECOENSE 1×0 BOTAFOGO
Chapecoense: João Ricardo; Eduardo, Douglas, Maurício Ramos (Camilo) e Bruno Pacheco; Amaral, Márcio Araújo, Renato (Arthur Gomes) e Roberto (Gustavo Campanharo); Henrique Almeida e Everaldo. Técnico: Marquinhos Santos.
Botafogo: Gatito Fernández; Fernando, Marcelo Benevenuto, Gabriel e Yuri; Cícero, Alex Santana e João Paulo (Jean); Igor Cássio (Luiz Fernando), Diego Souza (Vinícius Tanque) e Rhuan. Técnico: Alberto Valentim.
Arbitragem: Anderson Daronco (Fifa), auxiliado por Leirson Peng Martins e Michael Stanislau – trio do Rio Grande do Sul. VAR: Daniel Nobre Bins (RS).
Cartões amarelos: Maurício Ramos e Bruno Pacheco (C); Gabriel (B).
Público: 3.582 (total). Renda: R$ 63.780,00.
Local: Arena Condá, em Chapecó (SC). Data: 27 de novembro de 2019.
PRINCIPAIS LANCES
Primeiro tempo
40 min – Botafogo: Rhuan conduz da esquerda para o meio e chuta. A bola sai com perigo e passa perto do travessão da meta defendida por João Ricardo.
45 min – Chapecoense: Eduardo pedala pra cima do marcador, vai ao fundo e cruza rasteiro. Roberto aparece na pequena área para finalizar, mas bate por cima.
Segundo tempo
1 min – Chapecoense: Bola na trave após cruzamento. Na sequência, Gabriel se choca com Renato. Pede-se pênalti, o que, com auxílio do VAR, não é marcado.
4 min – Chapecoense: Cruzamento para a grande área, Everaldo divide por cima e, no rebote, Roberto tenta de bicicleta. O lance é bonito, mas o gol não sai.
GOL! 8 min – Botafogo: Rhuan recebe de João Paulo, aproveita bobeada do zagueiro Maurício Ramos, invade a grande área e toca por cima do goleiro João Ricardo.
44 min – Chapecoense: Camilo é acionado na entrada da grande área, faz o giro e chuta. Henrique Almeida se estica todo para empurrar ao gol, mas não chega.
50 min – Chapecoense: Henrique Almeida pega a sobra de bola na pequena área, após desvio de cabeça de Camilo, e, mesmo na cara do gol, manda para fora.
(Informações Diário do Iguaçu)









