Recente levantamento do Programa Monitora Milho SC confirma um cenário já esperado para esta época do ano: o aumento da população da cigarrinha-do-milho em Santa Catarina. A média estadual chegou a 120 insetos por armadilha, com maior concentração em municípios do Planalto Norte — entre eles, Porto União, que se destaca pelos índices registrados no monitoramento.
De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista da Epagri, Guilherme Silva Briski, o comportamento da praga segue o padrão histórico observado no Estado.
“A população de cigarrinha-do-milho encontra-se em níveis semelhantes aos de anos anteriores. Neste período da safrinha, com as lavouras em fase vegetativa, é comum registrar tanto o aumento do inseto quanto maior presença de cigarrinhas infectadas pelos patógenos”, explica.
Entenda o impacto da cigarrinha nas lavouras
Embora a presença do inseto seja visível, os principais prejuízos não estão ligados diretamente à sua alimentação. O maior problema está na transmissão de doenças.
“A cigarrinha atua como vetor dos enfezamentos e das viroses do milho. Esses patógenos afetam o funcionamento da planta, prejudicando o transporte de água e nutrientes”, explica o extensionista.
Entre os sintomas mais comuns estão o avermelhamento das folhas, encurtamento dos internódios, má formação das espigas e enfraquecimento do colmo. Estudos indicam que a produtividade pode cair de forma progressiva conforme aumenta a severidade da infecção, com perdas mais expressivas em situações de maior incidência.
Monitoramento orienta decisões no campo
Uma das principais ferramentas para lidar com a cigarrinha é o acompanhamento constante das lavouras. O Programa Monitora Milho SC realiza esse trabalho por meio de armadilhas adesivas distribuídas em diversas regiões do Estado.
“As armadilhas são avaliadas semanalmente, permitindo quantificar a população do inseto. Parte do material coletado também passa por análise laboratorial, o que possibilita identificar a presença de patógenos e estimar o nível de infectividade”, explica Briski.
As informações são disponibilizadas aos produtores por plataformas digitais, auxiliando na definição das estratégias de manejo. “Com base nesses dados, o agricultor consegue avaliar o momento mais adequado para intervir”, ressalta.
Características regionais influenciam o manejo
No Planalto Norte, e especialmente em Porto União, as características da produção agrícola também influenciam o comportamento da praga. A predominância de propriedades familiares e sistemas diversificados contribui para a presença frequente do milho ao longo do ano.
“Muitas propriedades cultivam milho tanto para grãos quanto para silagem, o que faz com que a cultura esteja presente em diferentes épocas. Isso pode favorecer a manutenção da cigarrinha e dos patógenos no ambiente”, observa o extensionista.
Outro fator é a proximidade entre áreas de cultivo. “Lavouras em diferentes estágios, próximas umas das outras, facilitam a movimentação do inseto e aumentam a possibilidade de infecção”, acrescenta.
Manejo integrado é a principal estratégia
Diante desse cenário, a recomendação técnica é clara: adotar um conjunto de práticas para reduzir a presença da cigarrinha e os impactos das doenças.
“O manejo deve ser integrado. Entre as principais medidas estão a escolha de híbridos mais tolerantes, o tratamento de sementes e o monitoramento frequente da lavoura”, orienta Briski.
Ele também destaca a importância do controle do chamado “milho tiguera”. “Essas plantas voluntárias funcionam como hospedeiras da cigarrinha e dos patógenos. A eliminação após a colheita é essencial para reduzir a chamada ‘ponte verde’”, afirma.
Atenção segue ao longo do ciclo
Mesmo com parte das lavouras já fora da fase mais sensível, o acompanhamento deve continuar, especialmente em regiões como Porto União, onde os índices foram mais elevados.
“O monitoramento e o manejo adequado são fundamentais para manter a estabilidade da produção. A informação técnica é a principal aliada do produtor nesse processo”, conclui Briski.
Com base nos dados do programa e na realidade regional, Porto União reforça seu papel como área estratégica no acompanhamento da cigarrinha-do-milho em Santa Catarina, contribuindo para o entendimento e o enfrentamento da praga no Estado.




