Não é de hoje que o ministro da Defesa, José Múcio, vem alertando sobre as dificuldades financeira e logística das Forças Armadas brasileiras. Entretanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aparentemente alheio a isso, defendeu nesta segunda0-feira (09), no Palácio do Planalto, que Brasil e África do Sul desenvolvam capacidade própria de defesa durante encontro com o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa.
“Aqui ninguém tem bomba nuclear, aqui ninguém tem bomba atômica, aqui os nossos drones são para agricultura, para fins de tecnologia e não para guerra. Nós pensamos em defesa como dissuasão. Se a gente não preparar essa questão, alguém invade a gente”, disse Lula durante a cerimônia.
A captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA em janeiro elevou a percepção de risco na região e reacendeu debates no Planalto sobre capacidade de defesa e modernização das Forças Armadas.
Lula defendeu que os 2 países juntem seu potencial industrial. “Não precisamos comprar dos senhores das armas. Nós podemos produzir”, afirmou o petista durante o encontro.
Ramaphosa disse que os dois países condenam a guerra e conclamou todas as partes ao cessar-fogo. “Vivemos um recrudescimento dos conflitos e reiteramos um chamado para uma resolução pacífica das disputas. Condenamos as perdas de vidas, principalmente de civis, e condenamos a perda de infraestrutura vital nessa parte do mundo”, afirmou o sul-africano.
Lula também pediu apoio de Ramaphosa à participação da África do Sul no FRLD (Fundo para Resposta a Perdas e Danos), mecanismo climático criado no âmbito da ONU (Organização das Nações Unidas) para compensar países vulneráveis pelos efeitos das mudanças climáticas. O tema é relevante para Pretória, que enfrenta pressões climáticas crescentes no continente africano.
A VISITA DE RAMAPHOSA
Lula recebeu o presidente da África do Sul no Palácio do Planalto. O encontro teve como pauta central a expansão do comércio bilateral.
Foram assinados dois memorandos:
- cooperação em turismo, com foco em treinamento e assistência técnica;
- entendimento entre a ApexBrasil e o Departamento de Comércio, Indústria e Concorrência da África do Sul, voltado para o comércio e investimentos sustentáveis.
A jornalistas, Ramaphosa disse que os dois países “deveriam cooperar em um nível muito mais alto” e que o comércio bilateral “precisa ser muito maior”. O intercâmbio entre Brasil e África do Sul somou US$ 2,3 bilhões em 2025, segundo o ComexStat. Para o Planalto, o volume está abaixo do potencial de duas das principais economias emergentes do Sul Global.
Os 2 líderes devem se encontrar novamente em Barcelona (Espanha), em 18 de abril, para a 4ª reunião em defesa da democracia, a convite do primeiro-ministro, Pedro Sánchez. Lula disse que eles também devem se ver no G7, no Brics e no G20 ainda em 2026, sem datas definidas.
Ao comentar o G20, Lula afirmou que o grupo não é o mesmo sem a África do Sul. A declaração veio em um momento de tensão entre Pretória e Washington. Donald Trump (Partido Republicano) excluiu o país da próxima cúpula, que será em Miami. O petista ainda negocia um encontro com o americano, sem data definida. Há expectativa de que seja realizado na 2ª quinzena de março.
A visita oficial começou com uma cerimônia de honra militar na área externa da sede da Presidência. Lula aguardou Ramaphosa no topo da rampa do palácio. O líder sul-africano chegou acompanhado de ministros e integrantes de sua comitiva. Os presidentes se cumprimentaram e participaram da cerimônia militar.
Na reunião, discutiram assuntos regionais, bilaterais e multilaterais.
A agenda em Brasília incluiu o Fórum Empresarial Brasil-África do Sul. O evento foi organizado pela ApexBrasil em parceria com o MRE (Ministério das Relações Exteriores). Representantes do setor privado participaram do fórum.





