O comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno, deixou de utilizar aeronaves militares desde julho. A decisão foi tomada em razão da falta de recursos e da alta demanda de autoridades pelos voos da FAB (Força Aérea Brasileira). Para cumprir compromissos oficiais, Damasceno tem recorrido a companhias aéreas comerciais, confirmaram seis oficiais-generais.
FAB prioriza autoridades em detrimento das Forças Armadas
Desde julho, a FAB paralisou 40 aeronaves e afastou 137 pilotos, consequência direta do orçamento reduzido. O decreto presidencial de 2020 determina que os voos da FAB atendam primeiro o vice-presidente da República, seguido pelos presidentes da Câmara, Senado e STF, além dos ministros de Estado.
Na prática, os comandantes militares ficam na base da fila e só podem usar aviões oficiais em situações excepcionais. Foi nesse contexto que Damasceno viajou para Recife, Salvador, Belo Horizonte, Argentina e Colômbia em voos comerciais.
Autoridades civis acumulam voos da FAB
Apesar da contenção, o transporte de autoridades segue em ritmo intenso. Somente em 2025 já foram 700 voos da FAB destinados a políticos e ministros.
Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara: 73 viagens
Fernando Haddad, ministro da Fazenda: 70 viagens
Luís Roberto Barroso, presidente do STF: 69 viagens
Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça: 54 viagens
Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores: 40 viagens
Os meses de março e abril foram os mais movimentados, com mais de 100 voos cada.
Arrocho na Aeronáutica: expediente reduzido e pilotos afastados
A crise financeira também levou a mudanças internas. Desde julho, a Aeronáutica reduziu o expediente presencial para meio período, com turnos da tarde realizados de forma remota. Missões foram substituídas por reuniões virtuais.
O maior impacto, no entanto, recai sobre a formação de militares: 137 pilotos foram afastados, inclusive do Grupo de Instrução Tática e Especializada, responsável pelo treinamento avançado. Generais alertam que o corte pode comprometer a qualidade da tropa no futuro.
Exemplo simbólico: comandante em voos de carreira
Marcelo Damasceno já foi visto por passageiros no Aeroporto de Brasília, viajando sem uniforme. Para muitos militares, sua atitude transmite um recado de austeridade: o exemplo deve partir da própria liderança.
O contraste é evidente: enquanto o chefe da Aeronáutica embarca discretamente em voos comerciais, autoridades civis continuam a ocupar as aeronaves da FAB — consumo que pressiona ainda mais o orçamento da Força.




