Conselho de Ética da Alesp aprova por unanimidade cassação de ‘Mamãe Falei’

Política

A Comissão de Ética da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) aprovou por unanimidade nesta terça-feira (12) a cassação do mandato do deputado Arthur do Val (União Brasil), conhecido como “Mamãe Falei”.

O deputado teve áudios vazados dizendo que as mulheres ucranianas “são fáceis porque são pobres”. O caso será votado pelo plenário da Alesp como projeto de resolução –data ainda será marcada pelo presidente da assembleia, Carlão Pignatari (PSDB)

Durante a sessão, o relator do caso, Delegado Olim (PP) classificou o teor dos áudios vazados de Artur do Val como “sexista e misógino“.

Em sua defesa, Mamãe Falei disse que o processo de cassação não é por conta do que foi falado, e sim por quem falou. Arthur do Val afirmou ser odiado “institucionalmente” pela Casa.

Segundo ele, o processo não acontece devido aos seus defeitos, mas às suas “virtudes”. Mamãe Falei disse ainda ter ficado “muito mal” com o caso.

Além disso, Arthur do Val ainda relembrou o episódio de assédio que aconteceu na Alesp, quando Fernando Cury (União Brasil) apalpou a deputada Isa Penna (PCdoB) e mesmo assim não teve o seu mandato cassado.

Durante a sessão desta terça-feira (12), Penna afirmou que a possível cassação de Arthur do Val vai “lavar” sua alma.

ENTENDA O CASO

Em viagem à Ucrânia para acompanhar a guerra com a Rússia, o deputado estadual paulista gravou áudios dizendo que as mulheres ucranianas “são fáceis porque são pobres”. Sobre uma fila de refugiadas do conflito, ele afirma só ter “deusa”. Em outro momento, diz que não “pegou ninguém” porque não tinha tempo.

“É sem noção, cara, é inacreditável, é um bagulho fora de sério. Se você pegar a fila da melhor balada do Brasil, na melhor época do ano, não chega aos pés da fila de refugiados aqui. Eu tô mal, to triste porque é inacreditável”, declarou Arthur do Val.

Depois do vazamento de suas mensagens, deputados estaduais de São Paulo assinaram uma representação contra Mamãe Falei, que foi enviada para o Conselho de Ética.

O deputado Carlos Gianazzi (Psol) foi o primeiro a assinar o documento. Em sua representação, Gianazzi chamou a atitude de Arthur do Val de “inoportuna” e “incompatível” com o decoro parlamentar.

Em 18 de março, o Conselho de Ética da Alesp aceitou as 21 representações que pedem a cassação de Arthur do Val por “quebra de decoro parlamentar”.