A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou nesta quinta-feira (26), a Operação Dublê, por meio da Delegacia de Defraudações da DEIC. Com apoio das polícias civis de São Paulo, Paraná e Minas Gerais, a ação desarticulou uma organização criminosa especializada em fraudes e lavagem de dinheiro que operava utilizando o nome da varejista Havan e a imagem de seu fundador, Luciano Hang. Foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Valinhos e Caraguatatuba (SP), Ponta Grossa (PR) e Viçosa (MG).
A fraude
O esquema teve início com a abertura fraudulenta de uma conta bancária em nome da Havan S.A. junto a uma plataforma de pagamentos, com uso indevido dos dados empresariais da varejista e sem qualquer autorização de seus representantes legais.
No dia 14 de agosto de 2025, a conta fraudulenta recebeu aproximadamente R$ 576 mil em apenas 24 horas, provenientes de vítimas espalhadas por diversos estados do país. Os valores foram então rapidamente dispersos por meio de múltiplas transações para dificultar o rastreamento.
A análise financeira identificou mecanismos clássicos de lavagem de dinheiro: fragmentação de valores, transferências sucessivas entre contas de laranjas, repasses imediatos de valores idênticos — técnica conhecida como mirroring —, uso de empresas para dissimular a origem dos recursos e dispersão sistemática entre diferentes envolvidos. Sete suspeitos foram identificados como diretamente ligados à operação. As investigações prosseguem e podem resultar em responsabilização por estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, entre outros crimes.
Um episódio ocorrido durante a inauguração da megaloja de número 190 da Havan, em Curitiba (PR), ilustra como as vítimas eram abordadas. Um idoso procurou Hang pessoalmente para entregar R$ 6 mil em espécie e aderir a um suposto investimento divulgado nas redes sociais, que prometia dobrar o valor aplicado usando a imagem do empresário. Por não ter concluído a transação pela internet, o homem buscou atendimento presencial e descobriu, naquele momento, tratar-se de uma fraude — evitando o prejuízo.
A batalha judicial contra a Meta
A operação policial se soma a um conflito jurídico em curso entre a Havan e a Meta, controladora do Facebook e do Instagram. Em setembro de 2024, a Justiça de Santa Catarina determinou a retirada de anúncios fraudulentos que utilizam o nome da varejista e a imagem de Hang em todas as plataformas da companhia. A ordem acumula mais de 600 registros de descumprimento, com multa total superior a R$ 13 milhões.
Hang atribui a resistência a um cálculo financeiro. Segundo ele, o faturamento da empresa com anúncios em 2024 teria sido bilionário, e o valor arrecadado em poucos minutos já superaria o total de multas acumuladas em quase dois anos de processo — tornando, na avaliação dele, o descumprimento financeiramente vantajoso para a plataforma.
Diante disso, a Havan e Hang ingressaram com novo pedido judicial requerendo medidas mais rígidas contra o Facebook Brasil. Entre elas estão a nomeação de um administrador judicial para atuar na operação das plataformas no país, com o objetivo de garantir o cumprimento da decisão, e a proibição de anúncios pagos em todas as plataformas da Meta no território nacional até que a ordem seja integralmente cumprida. Também foi aberto processo criminal por desobediência contra o presidente da empresa no Brasil.
Orientações aos consumidores
A Havan reforça que não realiza investimentos, não solicita depósitos ou transferências e não emite o cartão Havan de forma virtual — o documento só é disponibilizado presencialmente nas lojas físicas. Consumidores que se depararem com anúncios suspeitos são orientados a não realizar pagamentos e a buscar apenas os canais oficiais da empresa e as redes sociais verificadas da varejista e do empresário antes de qualquer ação.



