A direita voltou a superar a esquerda entre os brasileiros, segundo pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (03). O levantamento ouviu eleitores de 16 anos ou mais em todo o país e mostrou que 44% dos entrevistados se alinham à direita ou à centro-direita. Já a esquerda e a centro-esquerda somam 39%. Além disso, outros 17% aparecem no centro.
Direita vira o jogo após recuo em 2022
O resultado inverte o cenário registrado em 2022. Naquele ano, durante o governo Jair Bolsonaro, a esquerda liderava com 49%, enquanto a direita reunia 34%.
Agora, durante o governo Lula, a direita recupera espaço e volta à frente na série histórica do instituto. Além disso, a vantagem de cinco pontos percentuais supera a margem de erro geral, que é de dois pontos para mais ou para menos.
Com isso, o Datafolha registra a primeira liderança da direita desde 2014. Naquele ano, durante o governo Dilma Rousseff, a direita somava 45%, enquanto a esquerda tinha 35%.
Instituto mede valores, não apenas autodeclaração
A pesquisa não perguntou simplesmente se o eleitor se considera de direita ou de esquerda. Em vez disso, o Datafolha avaliou respostas sobre temas sociais, políticos, culturais e econômicos.
Para isso, o instituto analisou opiniões sobre armas, pobreza, criminalidade, religião, homossexualidade, impostos, leis trabalhistas e papel do governo na economia. Depois, classificou os entrevistados em uma escala ideológica.
Dessa forma, o levantamento mostra tendências de pensamento. Portanto, ele vai além da autodeclaração partidária ou eleitoral.
Costumes puxam crescimento da direita
O avanço mais forte da direita aparece nos temas ligados ao comportamento. Nesse eixo, 52% dos entrevistados se alinham à direita. A esquerda soma 29%, enquanto o centro fica em 20%.
Esse dado marca uma mudança expressiva. Em 2022, direita e esquerda estavam tecnicamente empatadas nesse campo. Naquele momento, a direita reunia 39%, e a esquerda chegava a 42%.
Além disso, algumas respostas mostram uma guinada conservadora. A parcela dos entrevistados que associa pobreza à preguiça passou de 22% para 40%. Ainda assim, a maioria, 58%, continua atribuindo a pobreza à falta de oportunidades iguais.
Outro ponto também chama atenção. O apoio ao direito de possuir arma legalizada subiu de 35% para 41%. Enquanto isso, a defesa da proibição da posse caiu de 63% para 55%.
Economia mantém força de posições à esquerda
Apesar do avanço da direita nos costumes, a economia mostra um quadro mais equilibrado. Nesse eixo, posições associadas à esquerda continuam na frente, com 46%. A direita soma 28%, enquanto o centro chega a 26%.
Mesmo assim, o eleitor brasileiro não segue uma linha única. De um lado, 65% afirmam que depender menos do governo melhora a vida. Além disso, 50% preferem pagar menos impostos e contratar serviços particulares de saúde e educação.
Por outro lado, 71% defendem que o governo deve liderar os investimentos e impulsionar o crescimento econômico. Além disso, 56% avaliam que as leis trabalhistas protegem mais os trabalhadores do que atrapalham as empresas.
Assim, o levantamento revela uma combinação complexa. O eleitor se mostra mais conservador nos costumes, mas ainda cobra presença forte do Estado na economia.
Homens puxam direita, mulheres puxam esquerda
A pesquisa também mostra diferenças importantes por grupo da população. Entre os homens, a direita aparece com 50%, enquanto a esquerda soma 33%.
Entre as mulheres, ocorre o movimento oposto. A esquerda lidera com 44%, enquanto a direita alcança 37%.
Além disso, a religião também pesa no resultado. Entre evangélicos, a direita chega a 52%, contra 30% da esquerda. Já entre católicos, o cenário fica mais dividido. Nesse grupo, 43% aparecem à direita, enquanto 39% ficam à esquerda.
Pesquisa ouviu mais de 2 mil eleitores
O Datafolha ouviu presencialmente 2.004 eleitores em 139 municípios, nos dias 17 e 18 de junho. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026.
Portanto, o levantamento indica uma mudança relevante no humor político do país. A direita avança, principalmente, quando o debate envolve costumes. A esquerda, por sua vez, mantém vantagem em temas econômicos. No fim, o eleitor brasileiro aparece mais conservador no comportamento, mas ainda dividido sobre o tamanho do Estado.






