Desembargador de SP rasga multa por não usar máscara e chama guarda de ‘analfabeto’

Política

Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, Eduardo Almeida Prado Rocha de Siqueira rasgou uma multa ao ser autuado por não usar máscara de proteção contra o novo coronavírus e desrespeitou um guarda municipal. O episódio aconteceu neste sábado em Santos, litoral sul paulista, e foi filmado. As informações são do G1.

O desembargador estava caminhando na faixa de areia sem o uso da máscara, obrigatória no estado por uma determinação do governo estadual e diversas prefeituras, quando foi abordado por uma viatura que fazia o patrulhamento. Ao receber a orientação dos guardas municipais para que colocasse máscara, Siqueira se recusou e ameaçou telefonar para o secretário municipal de Segurança, Sérgio Del Bel.

O desembargador é idoso e faz parte do grupo dos mais vulneráveis à Covid-19.

Um dos guardas saiu do veículo para pedir os documentos do desembargador e aplicar a multa, de R$ 100, pela recusa em usar o equipamento de proteção. Nesse momento, o magistrado pegou o celular e ligou para o secretário municipal.

— Estou aqui com um analfabeto que não está entendendo o que estou explicando — diz Siqueira ao telefone.

Quando o guarda pediu o documento de identificação do desembargador, Siqueira fez outro insulto ao servidor:

— Você sabe ler? — pergunta.

Ao receber a multa, o magistrado rasgou o papel e saiu caminhando. Não é a primeira vez que ele humilha um guarda municipal. Em outro vídeo recebido pelo G1 ele fala em francês com um rapaz, que fica sem entender o que o magistrado estaria dizendo.

Em nota, a prefeitura de Santos informou que estava fazendo uma força-tarefa no sábado para fiscalizar o uso das máscaras. O governo municipal defendeu a postura do guarda e disse que o secretário de Segurança deu total apoio à equipe que fez a abordagem. Segundo o município, a multa foi lavrada e condenou atos de abuso de poder.

A reportagem não conseguiu fazer contato com o magistrado até o momento.

O Tribunal de Justiça informou que instaurou um procedimento interno para apurar os fatos. Segundo nota, o órgão divulgou que “não compactua com atitudes de desrespeito às leis, regramentos administrativos ou de ofensas às pessoas”. (O Globo)