Dibea Estadual da Semae presta suporte técnico ao primeiro abrigo de animais criado após alerta climático do El Niño em SC

Política

A Diretoria de Bem-Estar Animal (Dibea Estadual), da Secretaria do Meio Ambiente e da Economia Verde (Semae), prestou suporte técnico ao município de Porto União durante as ações de atendimento e acolhimento de animais afetados pelas últimas cheias do Rio Iguaçu. A médica veterinária Mirna Marques participou, na última semana, de uma missão técnica no município, acompanhando a estruturação do abrigo temporário e orientando as equipes responsáveis pelo atendimento.

A visita da profissional teve como objetivo contribuir para a organização de protocolos de atendimento em situações de urgência provocadas por eventos climáticos e outras emergências, além de acompanhar as medidas adotadas pelo município para o resgate, acolhimento e cuidado dos animais. Com a elevação do nível do Rio Iguaçu, dezenas de famílias precisaram deixar suas casas e os animais também foram retirados das áreas atingidas e encaminhados para espaços temporários de acolhimento.

O abrigo de Porto União é o primeiro criado após a publicação do Decreto de Alerta Climático do El Niño, medida adotada pelo Governo do Estado para permitir a mobilização antecipada dos órgãos estaduais em ações de prevenção, monitoramento e resposta rápida diante de possíveis eventos climáticos extremos. A experiência no município também contribui para o aprimoramento dos procedimentos que podem ser adotados em outras situações de emergência.

“A experiência de Porto União é importante para a estruturação de procedimentos que possam ser utilizados em outras situações de emergência. O município já havia realizado o cadastramento de famílias e animais de áreas sujeitas às cheias, o que permitiu acionar a Defesa Animal à medida que o nível do rio subiu e iniciar os resgates de forma mais organizada”, destaca a médica veterinária da Dibea Estadual da Semae, Mirna Marques.

Atuação técnica da Dibea Estadual

Durante a missão, a médica veterinária Mirna Marques acompanhou o funcionamento do abrigo, verificou as condições de acolhimento e orientou as equipes municipais sobre procedimentos relacionados ao atendimento de animais em situações de desastre climático. A atuação também envolveu o acompanhamento do fluxo de resgate e encaminhamento dos animais retirados das áreas atingidas. Durante as atividades, Mirna foi acompanhada pela gerente do Centro de Acolhida e Tratamento Animal (CATA) de Porto União. O prefeito do município e o secretário do Meio Ambiente também estiveram no abrigo, para uma reunião técnica.

A veterinária também acompanhou situações específicas de resgate durante a missão. Entre elas, está o atendimento a cães que permaneciam sobre o telhado de uma residência atingida pela inundação. A equipe avaliou as condições do local e articulou o apoio necessário para a retirada segura dos animais.

Outro atendimento realizado durante a missão envolveu quatro filhotes de gambá encontrados no município. Os animais foram recolhidos pela equipe e receberam os primeiros cuidados antes de serem encaminhados para atendimento especializado. Como o município não dispõe de médico veterinário para fauna silvestre, os gambás foram direcionados para Canoinhas e, posteriormente, deverão seguir para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Florianópolis.

Enquanto aguardam o encaminhamento, os filhotes permanecem sob os cuidados da médica veterinária Letícia Tresleb, que realiza a alimentação em intervalos regulares e com dieta específica. A previsão é que, após receberem os cuidados necessários e atingirem condições adequadas, os animais sejam reabilitados e devolvidos à natureza.

Para Mirna, além da estrutura física, a resposta a emergências envolvendo animais depende da articulação entre órgãos públicos, equipes técnicas e comunidade. A veterinária também destacou o trabalho dos profissionais e voluntários que atuam diretamente no abrigo temporário, responsáveis pela rotina de alimentação, limpeza, resgate e acompanhamento dos animais.

A missão da Dibea Estadual integra as ações de apoio técnico aos municípios diante de situações de emergência e contribui para o desenvolvimento de protocolos de atendimento a animais afetados por eventos climáticos extremos em Santa Catarina.

Atendimento aos animais afetados pelas cheias

O abrigo temporário foi organizado em uma antiga escola municipal cedida à associação da comunidade do Quilômetro 13. No local, foram instaladas estruturas para os cães e baias destinadas aos gatos. Para os felinos, o espaço foi mantido fechado e algumas baias receberam cortinas para reduzir o estresse de animais mais assustados ou que passaram por situações de maior vulnerabilidade durante a enchente.

No período de maior elevação do rio, duas equipes atuaram simultaneamente no resgate e cadastramento dos animais. Cerca de 100 cães e gatos foram retirados das áreas atingidas durante o fim de semana de maior movimentação. Os animais passaram a ser identificados e encaminhados para os espaços disponibilizados pelo município.

A organização do atendimento começa a partir do cadastro das famílias atingidas pela enchente. Durante esse levantamento são identificados os animais pertencentes a cada família, permitindo que as equipes da Defesa Animal façam o resgate e mantenham o controle dos animais acolhidos.

Os animais recebem alimentação ao longo do dia, além de limpeza e acompanhamento das condições de saúde. O município também iniciou o protocolo de castração dos animais acolhidos durante o período de emergência.

O município, antes das últimas cheias pode castrar mais de 700 animais com recursos recebidos por meio do programa Pet Levado a Sério, em áreas de vulnerabilidade social, reforçando a castração como uma ferramenta estratégica para o controle populacional ético e consequentemente a diminuição da quantidade de animais em situações de emergência.

Em situações que envolvam a retirada de famílias e animais de áreas de risco, a Defesa Civil de Porto União pode ser acionada pelo telefone (42) 98878-3003.

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