O episódio de El Niño de 2026-2027, que começa a se configurar com o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, deve ter impactos diferentes do fenômeno registrado entre 2023 e 2024 no Brasil. Segundo a MetSul Meteorologia, a tendência é de que o fenômeno provoque mais chuva em áreas do Centro-Oeste e do Sudeste durante a temporada seca, enquanto o Sul do País deve voltar a enfrentar períodos de precipitação acima da média e risco de
enchentes.
“Nenhum episódio de El Niño é igual ao outro”, destacam os meteorologistas Estael Sias e Luiz F. Nachtigall. Segundo eles, diferentes fatores atmosféricos e oceânicos influenciam diretamente os efeitos do fenômeno em cada região do planeta.
O processo de instalação do El Niño ainda está em fase inicial, mas a expectativa é de que ele seja oficialmente declarado nas próximas semanas, possivelmente em junho. A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) já registrou anomalias de temperatura em patamar de El Niño na chamada Região
Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Centro-Leste.
Mais chuva em áreas do Centro do Brasil
Diferentemente do último El Niño, quando muitas áreas do CentroOeste e do Sudeste tiveram períodos de tempo mais seco, os modelos climáticos agora indicam que os próximos meses podem ter chuva acima da média em partes dessas regiões.
Estados como Mato Grosso do Sul e São Paulo aparecem entre as áreas com possibilidade de precipitação superior ao normal entre o fim do outono e o começo da primavera. “A chuva na temporada seca deste ano pode surpreender em diversas áreas do Centro do Brasil”, afirmam os especialistas.
Apesar disso, eles ressaltam que a previsão não significa necessariamente volumes extremos de chuva. Isso porque,
historicamente, os meses entre junho e setembro costumam ser mais secos nessas regiões do País.
Sul deve voltar a ter chuva excessiva
Se no Centro do Brasil o comportamento do El Niño pode surpreender, no Sul os efeitos tradicionais do fenômeno devem voltar a aparecer. A previsão aponta aumento expressivo da chuva ao longo do segundo semestre, principalmente entre a segunda metade do inverno e a primavera.
Segundo os meteorologistas, o Paraná tende a ser o primeiro estado da região Sul a enfrentar episódios de chuva volumosa, especialmente no Oeste paranaense. Depois, Santa Catarina e Rio Grande do Sul devem ter aumento mais significativo dos volumes.
“O risco de episódios de chuva excessiva a extrema no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina é alto”, alertam, destacando que há possibilidade de cheias de rios, enchentes e deslizamentos de terra.
Enchente histórica de 2024 não deve ter repetição no RS
Apesar do alerta para chuva acima da média no Sul do Brasil, a MetSul ressalta que não é possível prever, neste momento, uma enchente semelhante à tragédia climática registrada no Rio Grande do Sul em 2024.
“Não se pode prever hoje uma enchente no Rio Grande do Sul como a de 2024”, reforçam os meteorologistas. Eles lembram que, além do El Niño, outros fatores contribuíram para a catástrofe registrada há dois anos no Estado — como bloqueios atmosféricos, o Atlântico Tropical superaquecido e impactos atmosféricos associados à erupção do vulcão Tonga. (ABC+)



