O grupo Ambipar, conhecido pela presença da supermodelo Gisele Bündchen em suas campanhas publicitárias e por sua atuação no setor ambiental, entrou com pedido de recuperação judicial no TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro).
A medida, protocolada às pressas, pouco antes da meia-noite de segunda-feira (20), busca proteger a companhia de um colapso financeiro que ameaça 23 mil empregos diretos.
A Ambipar, criada há 30 anos e sediada em Nova Odessa (SP), é uma multinacional brasileira especializada em gestão ambiental. Está presente em mais de 40 países e atua em frentes que vão de descarbonização e economia circular a resposta a emergências ambientais.
É o tipo de empresa que entra em ação quando há vazamento de petróleo, desastre químico ou necessidade de licenciamento ambiental para grandes obras.
O que a Ambipar faz
O grupo se divide em dois grandes braços.
- A Ambipar Environment oferece soluções de transformação ecológica — projetos para reduzir o consumo de água, reciclar resíduos e cortar emissões de gases do efeito estufa.
- Já a Ambipar Response, com 642 bases em 41 países, é responsável por operações de emergência e mitigação de desastres, atendendo gigantes como Petrobras, Vale, Klabin e Natura.
A projeção nacional veio em 2021, quando Gisele Bündchen foi anunciada como embaixadora e acionista da marca. A modelo, reconhecida internacionalmente por sua defesa de causas ambientais, chegou a integrar o Comitê de Sustentabilidade da empresa, cargo que não ocupa mais.
As campanhas estreladas por ela ajudaram a consolidar a imagem da empresa como referência em sustentabilidade — mas também a colocaram sob os holofotes quando a crise veio à tona.
Por que a Ambipar pediu recuperação judicial?
O colapso começou a se desenhar após o Deutsche Bank cobrar garantias de um empréstimo de US$ 35 milhões. A cobrança, segundo a empresa, poderia antecipar o vencimento de outros compromissos financeiros, somando R$ 10 bilhões em dívidas.
Com isso, a empresa pediu proteção judicial tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos — onde a subsidiária Ambipar Emergency Response entrou com pedido de Chapter 11, equivalente à recuperação judicial americana.
A situação é dramática: as ações da Ambipar desabaram 96,8% neste ano, chegando a ser negociadas a R$ 0,41, e o grupo, que reúne cerca de 280 empresas, tenta salvar sua operação global.
Um dos pontos que mais intrigam o mercado é o fato de a companhia ter encerrado o segundo trimestre com R$ 4,7 bilhões em caixa, o que levanta dúvidas sobre a origem da crise e a capacidade real de recuperação.
Em nota, a empresa afirma pagar R$ 500 milhões em tributos por ano e reforça que o pedido de recuperação judicial é uma medida temporária para preservar empregos e continuar prestando serviços ambientais estratégicos.


