Empresário é preso após forjar a própria morte em São Cristóvão do Sul

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Empresário foi preso após simular o desaparecimento e tentar forjar a morte duas vezes. Os crimes foram registrados em São Cristóvão do Sul.

O delegado Fabiano Toniazzo explicou que uma Chevrolet S10 foi encontrada queimada no interior da cidade com um corpo carbonizado no interior e que não dava para identificar a vítima facilmente.

Em buscas no sistema foi constatado que a caminhonete foi identificada como sendo de um homem que teve desaparecimento comunicado três dias antes. Conforme o delegado, a investigação inicial apontava como desaparecimento dele e consequente homicídio ou morte por outra causa como vingança ou acerto de contas devido a vários problemas na empresa por aplicação de golpes em clientes e fornecedores.

As investigações começaram e através de testemunhas foi identificado que o empresário teria circulado pela região com a caminhonete e na companhia de outro homem. Elas também informaram que o desaparecido em questão estava tranquilo e não transparecia estar sofrendo algum crime. Também foi identificado que ele procurou diversos comércios, adquirindo álcool e gasolina.

Toniazzo comenta que com essas informações, as investigações tiveram outra linha. Na sequência, familiares e alguns portais de notícias receberam vídeos de uma suposta tortura, onde ele aparecia e que havia a amputação de um dedo e o interlocutor narrando que o corpo que estava na S10 não era dele, mas que ele iria morrer naquele momento. Na sequência, as imagens eram de chamas em pneus.

Conforme informado, a ex-namorada do empresário recebeu em Blumenau uma garrafa pet com pedaço de dedo recém amputado e dois dedos. “A gente quer crer que era pra um eventual confronto de DNA”, explicou o delegado.

Dando sequência na apuração dos fatos, a investigação conseguiu identificar o homem que acompanhava, sendo um que já tinha passagens no setor policial e que respondeu por diversos homicídios.

Com a nova linha de investigação, os policiais procuraram por homens desaparecidos na região e no dia 12 de fevereiro a família de uma pessoa, que ainda não tem resultado de DNA, de 59 anos, registrou o desaparecimento de um homem que tinha problemas com bebidas alcóolicas e morava em barracas.

Os investigadores passaram a entrevistar moradores de rua da região e vários deles confirmaram que o proprietário da caminhonete juntamente com um homem passaram fazendo a seguinte proposta:

“Você gostaria de ganhar um sacolão de alimentos? Pra isso você tem que entrar na caminhonete e ir com a gente até Curitibanos ”

Conforme o delegado, nenhum dos entrevistados, todos sobreviventes, aceitou a proposta. E esse homem que sempre estava por ali desapareceu por aqueles dias. Com isso, a Polícia Civil de Santa Catarina passou a trabalhar com o possível paradeiro da dupla.

Com o estreitamento das investigações, foi buscado a rede de saúde em busca de um homem com as características do desaparecido que buscou socorro por amputação recente.

“E ai foi descoberto, em uma UPA 24h de uma cidade do litoral do estado, um homem com aquelas características. Testemunhas do local reconheceram a pessoa como quem foi atendido na noite da divulgação dos vídeos. Ou seja, a linha de investigação faz demonstrar que eles fizeram a amputação, divulgaram os vídeos e em seguida foram buscar atendimento. Passaram na residência da ex-namorada e foram buscar atendimento ”

Com base nisso, e nos possíveis paradeiros, foi representado pela busca e apreensão do veículo e na prisão preventiva dos dois envolvidos. Foi dado o cumprimento do mandado em uma favela na cidade de Navegantes, no litoral norte do estado.

Em interrogatório, eles preferiram ficar em silêncio, mas de forma informal admitiram os fatos e disseram que a motivação seria financeira.

“Inclusive teria um seguro de vida em nome do primeiro desaparecido”, explicou o delegado.

O empresário pode responder por homicídio triplamente qualificado, falsidade ideológica e estelionatos contra fornecedores, credores e também da seguradora.