Endividamento cresce em SC e já atinge mais de 70% das famílias, aponta pesquisa

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O endividamento em Santa Catarina cresceu durante o mês de julho, atingindo 71,8% das famílias catarinenses.

Além disso, a inadimplência deu salto no mesmo período, chegando a 28,6%, um aumento de 2,6 pontos percentuais em relação ao mês anterior.

Os dados foram divulgados pela Fecomércio-SC (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina) no dia 8 de julho e fazem parte da PEIC (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), divulgada mensalmente pela entidade, em parceria com a CNC (Confederação Nacional do Comércio).

Endividamento em Santa Catarina cresce em julho

A pesquisa mostra aumento no índice de envidamento em Santa Catarina. O levantamento representa a disposição das famílias para contratar financiamentos ou realizar compras parceladas de curto, médio e longo prazo.

O somatório registrado em julho está 1,5 ponto percentual acima do contabilizado no mês de junho. Mesmo com o crescimento do endividamento em Santa Catarina, o número está abaixo da média histórica do estado, de 75,3%. No cenário nacional, o indicador alcançou 75,8% no mês.

Para a economista da Fecomércio-SC, Edilene Cavalcanti, o resultado reflete um cenário de cautela por parte das famílias em relação ao atual cenário econômico. “A leve alta em julho sugere que, apesar do esforço para controlar as dívidas, a necessidade de crédito continua presente, refletindo os desafios na gestão financeira das famílias”, explica Edilene.

Tipos de dívida

Segundo a pesquisa da Fecomércio-SC, o cartão de crédito continua como principal forma de endividamento em Santa Catarina, citado por 77,8% dos entrevistados — uma leve queda de 0,2 ponto percentual em relação a junho.

Os carnês apresentaram a maior redução no período, de 1,8 ponto percentual, seguidos pelos financiamentos de veículos e imóveis, ambos com queda de 0,9 p.p. A diminuição pode indicar menor demanda por crédito de longo prazo. Também houve diminuição nas dívidas com:

cheque especial (-0,3 pontos percentuais);
crédito consignado (-0,3 pontos percentuais);
outras modalidades (-0,7 pontos percentuais).
Em contrapartida, o crédito pessoal foi a única categoria que registrou aumento, subindo 1,3 ponto percentual. Para a Fecomércio-SC, o dado reflete maior necessidade de liquidez no curto prazo.

Inadimplência sobe entre as famílias

O percentual de famílias com dívidas em atraso chegou a 28,6% durante o período analisado, um aumento de 2,6 pontos percentuais em relação ao mês anterior. Segundo a Fecomércio-SC, este é o maior nível de inadimplência em dois anos. Em julho de 2023, o índice era de 31%.

Segundo a entidade, o percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar as dívidas chegou a 8%, o maior patamar registrado em 2025. O indicador é um sinal de alerta, segundo a Fecomércio-SC, e reflete os efeitos do ciclo de alta dos juros, atualmente no maior nível em quase 20 anos.

“Estamos vendo uma deterioração do ambiente econômico como reflexo dos juros excessivamente altos. Muitos esperavam uma retração já no primeiro semestre, mas os resultados ainda foram positivos. Agora, com o cenário externo também adverso, observamos a piora de alguns indicadores na ponta. Acreditamos que o aumento da inadimplência pode ser um reflexo disso”, avalia o presidente da Fecomércio-SC, Hélio Dagnoni.

Apesar da alta, a inadimplência em Santa Catarina segue abaixo da média nacional, que ficou em 30,2%. Por outro lado, supera a média histórica estadual, estimada em aproximadamente 22%.

As informações são do ND+.