Entenda por que a FAB não usa todos seus aviões para levar oxigênio ao Amazonas

Política

Após o caos que se instalou no Amazonas pela falta de cilindros de oxigênio, muitos questionaram o porquê de a Força Aérea Brasileira (FAB) não estar utilizando todos os aviões para transportar os cilindros. No entanto, o que há não é a falta de aeronaves. Entenda.

A Força Aérea Brasileira (FAB) tem trabalhado muito nesta pandemia, como dizem os americanos, around the clock, com voos logísticos, levando pacientes, material e pessoal da saúde há quase um ano, na maior operação logística da força depois a Segunda Guerra Mundial.

No entanto, um tema que está virando polêmica nas redes sociais refere-se às opções de transporte para levar os cilindros de oxigênio para o Amazonas e muitas pessoas e jornalistas apontam o dedo para a FAB, inclusive mencionando a aeronave KC-390 que foi enviada aos Estados Unidos para um treinamento e o fato de que ela poderia estar fazendo falta no Brasil.

Mas a verdade é que há outro tema envolvido.

Transportar cilindros não é algo simples nem no modal rodoviário, quanto menos no aéreo. Não se pode colocar os cilindros (de qualquer natureza) numa carreta fechada, ela precisa ser aberta, com documentação e sinalização condizente, e na aviação seria o mesmo.

Avião Boeing 767-300F LATAM TAM Cargo

As restrições para levar os cilindros em um jato comercial de passageiros são grandes e, por via de regra, as empresas aéreas negam seu embarque em voos não-cargueiros. Um dos motivos para isso é que não se pode verificar o conteúdo e nem a integridade do cilindro, que poderia vazar ou explodir, representando um grande perigo para o voo.

Normalmente, os cilindros verdes tradicionais levam 50 litros, em 10 m3. Voos comerciais levam até 5 mil m3 de oxigênio, como o que a LATAM fez ontem (14) com um Boeing 767 cargueiro.

Ontem, foram embarcados no Boeing 767 cerca de 500 cilindros (ou cerca de 5.000 m3), o que pode parecer muito, mas que não é “nada”, já que o Amazonas estava com um déficit de 40 mil m3 do gás por dia – seriam necessários oito voos com o Boeing 767 só para suprir a demanda por 24 horas.

 

A alternativa foi levar o oxigênio líquido em tanques, que torna a operação mais segura e menos limitante no quesito de quantidade do insumo. Porém, para levar nos aviões da FAB, isso implica em outras restrições, como menciona o Comandante-Geral de Apoio (Logística) da FAB, Brigadeiro Baptista Jr.

Segundo ele, uma válvula de alívio seria necessária, juntamente com um sistema de interligação dos cilindros/tanques, e apenas dois C-130 Hércules teriam esse recurso. Por sua vez, o KC-390 ainda não tem e, portanto, está levando uma quantidade muito inferior de cilindros do que poderia.

Segundo o oficial da FAB, estas ferramentas estão sendo providenciadas para que o KC-390, que tem maior capacidade de carga e voa mais rápido e longe, possa levar os cilindros.

As tratativas para que a USAF ceda um C-5M Super Galaxy continuam, mas não existem indicações ainda de que o AMC – Comando de Mobilidade Aérea – dos EUA irá atender à solicitação, que é inédita. Por outro lado, a empresa White Martins irá trazer da Venezuela mais oxigênio, em logística ainda não definida. (Fonte: Aeroin)