Entidades repudiam uso pejorativo do termo “autismo” para criticar governador

Política

Estado – A Rede Unificada Nacional e Internacional pelos Direitos do Autistas – REUNIDA -, solidarizando-se com as pessoas autistas, suas famílias e com as associações e movimentos em defesa dos direitos das pessoas autistas, manifesta-se contrária à parte do conteúdo do discurso do cientista político, Eduardo Guerini, ao referir-se ao governador do estado de Santa Catarina, Carlos Moisés, com os termos “autismo político”. O uso indevido da palavra ‘autismo’ – no caso, como adjetivo pejorativo – ofende toda a Comunidade do Autismo, que luta diariamente para romper barreiras do preconceito da população em relação ao Transtorno do Espectro do Autismo – TEA.

Abaixo, o fragmento proferido pelo cientista político, também professor da Univali, em discurso público, ao debater as atitudes do governo de Santa Catarina:
“…É antes de iniciar o processo que você deveria fazer a articulação política. Um aceno de última hora não garante sobrevida. Moisés sofre de um autismo político. Não dialoga com a sociedade civil, com os deputados, com o empresariado, com a imprensa. Deu de ombro para o jogo político e os deputados começaram a reagir…”
A declaração afronta o previsto em nossa legislação pátria. “Art.4
A pessoa com transtorno do Espectro Autista (TEA) não será submetida a tratanebto desumano ou degradante, não será privada de sua liberdade ou convívio familiar, nem sofrerá discriminação por motivo da deficiência.”
O Estado brasileiro tem como fundamentos enunciados, logo nos primeiros artigos da Constituição Federal, a CIDADANIA E DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA, objetivando a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, que busca a promoção social de todos, sem preconceitos ou quaisquer tipos de discriminação.
A REUNIDA lamenta a demonstração de capacitismo pelo mencionado professor, e pede uma retratação do mesmo pela ofensa dirigida à Comunidade do TEA no Brasil.

A Associação Catarinense de Autismo (ASCA) também divulgou manifestação de repúdio à utilização do termo pejorativamente. Leia:

NOTA DE REPUDIO

 

A ASSOCIAÇÃO CATARINENSE DE AUTISMO- ASCA,  REPUDIA  a entrevista concedida ao Jornal Notícias do Dia, publicada na data de 24 de julho de 2020, onde o Sr. Eduardo Guerini fala: “(…) Moisés sofre de autismo político.(… )

Em pleno século XXI, nós ainda estamos discutindo sobre manifestações de pessoas com formação acadêmica e que equivocadamente ou por falta de informação ou  mesmo por falta de formação de berço, se colocam de maneira arbitraria a tudo o que a medicina e a educação pregam nos dias de hoje.

A sociedade Brasileira vive um momento importante de avanço da cidadania, de reconhecimento de direitos e de promoção da inclusão com a publicação da Lei 13.146, Lei brasileira de inclusão, chamada por muitos de Estatuto da Pessoa com Deficiência e  pela   Lei Federal 12.764, que institui a Política Nacional de Proteção aos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e da LEI Nº 16.036, de 21 de junho DE 2013,  que Institui a Política Estadual de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista em Santa Catarina. Leis que determinam o compromisso do Poder Público com o atendimento a saúde das pessoas com deficiência e em especial no caso as pessoas com autismo. Conquistas construídas ao longo dos anos, com a participação de muitas mãos e corações envolvidos e sensibilizados pela causa.

A declaração ofendeu toda a Comunidade do Autismo, que luta constantemente para romper as barreiras do preconceito em relação ao Transtorno do Espectro do Autismo. Destacamos que as “Associações de Pais e Amigos dos Autistas – AMAs” do estado de Santa Catarina, que atende aproximadamente 3 mil autistas  em parceria com vários órgãos públicos. Essas Instituições são formadas por voluntários, pais e simpatizantes da causa que buscam romper a barreira do preconceito.

 

Com todo o nosso respeito, mesmo sem lhe conhecer Sr. Eduardo Guerini, podemos dizer que foi muito infeliz na palavra  pejorativa, na qual citou nossos AUTISTAS, os quais a Associação Catarinense de Autismo – ASCA,  vem trabalhando intensamente a inserir “ELES” nossos autistas em nossa sociedade.

Mas, mesmo assim, acreditamos que podemos equivocadamente cometer erros e  convido o Sr. a conhecer o trabalho incansável que as AMA”s do Estado de Santa Catarina desenvolvem.

Eu, mãe de um autista, ativista da causa e Presidente da Associação Catarinense de Autismo – ASCA, jamais poderia deixar de manifestar diante de tamanha insensibilidade e solicito que o senhor se retrate publicamente aos Autistas por ter utilizado um termo técnico tão inapropriado,  ofensivo e se junte conosco na luta em prol dos Autistas  erguendo a “Bandeira Azul do Autismo”!

 

Catia Cristiane Purnhagen Franzoi

Presidente ASCA