Estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) denunciaram cortes na segurança da instituição durante o período de férias, especialmente na região do Córrego Grande, onde estão localizados os centros de ensino CCB e CTC. A redução de vigilantes ocorreu sem aviso prévio ou consulta à comunidade acadêmica, e só foi descoberta informalmente por alunos e integrantes de centros acadêmicos.
A denúncia foi feita por Maria Eduarda, da coordenação da Sala de Laís, e por Rafael, estudante de Biologia e membro do DCE Estravaços. Segundo os relatos, os cortes agravam uma situação já considerada insegura.
“A segurança já não estava muito boa antes e agora só está ficando cada vez pior”, afirmou Maria Eduarda.
Ela destacou que o local é afastado e muitos estudantes precisam passar por um túnel escuro durante a noite para chegar aos pontos de ônibus. “É muito difícil pra gente se sentir seguro aqui dentro da universidade”, completou. Ainda segundo ela, houve uma tentativa de assalto à luz do dia meses atrás, o que reforça o temor da comunidade acadêmica com a ausência de vigilância.
Rafael destacou que o Centro Acadêmico Livre de Engenharia Química e de Alimentos (CALEQA) lançou um abaixo-assinado pedindo a reversão dos cortes.
“A gente teve um caso esse mesmo ano lá na Arquitetura, onde aconteceu esse mesmo corte, e o pessoal conseguiu reverter. Mas a gente entende que não é só reverter a ação que resolve, a luta pela segurança no campus não começou aqui e não vai acabar aqui”, declarou.
O abaixo-assinado será levado à reitoria da UFSC na próxima segunda-feira.
Contradição com discurso recente
As reclamações ocorrem menos de dois dias após um ato no Largo da Alfândega, no Centro de Florianópolis, em que representantes do DCE da UFSC criticaram o governo de Santa Catarina por investir em armamentos e blindados para a segurança pública.
Na ocasião, uma representante do DCE afirmou que o Estado estaria “comprando tanque de Israel para matar jovens na periferia”, enquanto a universidade federal “não tem orçamento” e estudantes “ficam 16 horas sem alimentação”.
Apesar das críticas, a responsabilidade pela UFSC é do governo federal — que vem sendo amplamente defendido pelos mesmos grupos que organizaram os protestos. Os cortes na segurança da universidade, portanto, foram promovidos sob gestão federal, e não estadual. As informações são do Jornal Razão.


