Estudo recomenda construção do Ramal da Ferroeste em Santa Catarina

Destaques

O estudo de Viabilidade Técnica (EVTE) sobre a Nova Ferroeste foi apresentado na noite desta terça-feira (28) pela Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) e pela empresa de engenharia TPF para associações empresariais e prefeitos,
autoridades, na sede da Associação Empresarial de Pinhalzinho. Mais de R$ 100 mil foram investidos pelas associações empresariais localizadas no Oeste, no Extremo Oeste e Noroeste do Estado de Santa Catarina.

Outros R$ 650 mil foram investidos por outras entidades parceiras para viabilizar o estudo. Já o resultado atende expectativas do setor empresarial e comprova: vale investir na construção do ramal Cascavel a Chapecó. Thiago Dantas, o engenheiro e coordenador de engenharia do EVTE, disse que com o marco de ferrovias agora é possível que uma empresa privada seja contratada para realizar o estudo de viabilidade como foi realizado agora com o ramal da Nova Ferroeste.

O estudo mostrou que é possível fazer o projeto adequado à exigência para emissão de títulos verdes, construção de terminais ferroviários em Cascavel e Chapecó, utilização e bitolas largas (1,6m) nos 263 quilômetros de extensão da ferrovia. A previsão é que
com a ferrovia até o ano de 2044 sejam transportadas 8,85% de toneladas. Ainda, ganhos com a redução dos custos de transporte, superando 9% agora, mantendo esse patamar ao longo da maior parte do projeto.

O grande potencial do estudo é possibilitar importação dos insumos para o Oeste catarinense com redução de custos. A carga já existe e o que se precisa é viabilizar o transporte. Cerca de 5 milhões de toneladas são transportadas entre entrada e saída de Chapecó. A produção total é de 86 milhões de toneladas na região. Outro benefício apontado é o custo de frete no trecho isolado, com economia de cerca de 10%. Se considerar o trecho todo a economia chega a 25%.

Opiniões das lideranças

O 1º vice-presidente da Facisc, Elson Otto, destacou que esse evento demonstra que quando a classe empresarial se une com a comunidade somos capazes de realizar o que precisamos para suprir as nossas necessidades. “Temos que nos aproximar e trabalharmos juntos com o poder público para atender todos os anseios”. Presente ao evento, vice-presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, Ernesto Reck, falou sobre a importância.

Endossada pelos presidentes das associações empresariais da região e prefeitos participantes do evento, como o presidente da Acip de Pinhalzinho, Sergio Mazonetto. O presidente da Acic de Chapecó, Lenoir Brochi, disse que o mais importante é trabalhar
juntos. Do evento também saiu um manifesto pela BR-282 assinado por todas as associações empresariais, e apresentado pelo presidente da Acic, e que lembrou que isso reforça ainda mais a importância da ferrovia.

O primeiro passo foi dado que foi o estudo que comprova a importância da inclusão do ramal no projeto da Nova Ferroeste. “A iniciativa privada tem papel fundamental e a concessionária atenderá primeiro as regiões que já estarão com esta parte burocrática
totalmente pronta. São seis trechos e o projeto do trecho do grande Oeste catarinense está pronto”, afirmou Eduardo Scalia, diretor de Gestão Financeira da TPF, elogiando essa iniciativa tomada pelas associações.

Sérgio Matte, diretor de Relações Internacionais da Facisc, explicou que próximos passos são a consulta pública, o leilão e depois a execução do trecho previsto. A expectativa é que a obra, após seguidos todos os passos e cumpridos prazos, fique pronta de oito a
dez anos. Segundo o estudo, aves, suínos, peixes, soja, milho e farelo de soja são os principais produtos a serem os transportados por esse ramal em previsão. As carnes na exportação e os grãos na importação.

Dados do Estudo

Não há conexão ferroviária entre os estados de MS e PR e nem entre a região entre os portos de Santos, de Paranaguá, de São Francisco do Sul, de Itajaí e de Rio Grande. A Nova Ferroeste será um dos principais corredores ferroviários em transporte de grãos
do Brasil, conectando o Mato Grosso do Sul e o Oeste do Paraná ao Porto de Paranaguá. A ferrovia traz a possibilidade para aumentar a eficiência do abastecimento de grãos também na região Oeste catarinense.

Para cumprir com os padrões para certificação do projeto para acesso à títulos ligados ao clima (Climate Bonds), o projeto deve apresentar taxas de emissão de CO2 abaixo das metas. Assim, o Ramal atende aos esses requisitos, se tornando uma infraestrutura
com selo verde. O Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental prevê o investimento de R$ 35,8 bilhões para a construção e compra de material para os 1.567 quilômetros de trilhos ligando o PR, o MS e SC.

Nova Ferroeste

Nova Ferroeste é o projeto do governo do Paraná de ferrovia interestadual visando ampliação da Estrada de Ferro Paraná Oeste S.A, trecho de pouco mais de 200 quilômetros em operação entre Guarapuava e Cascavel. O novo traçado, com 1.567 quilômetros, ligará
os municípios de Maracaju (MS) e Paranaguá (PR), e criar ramal entre Foz do Iguaçu e Cascavel e entre Chapecó e Cascavel. Quando concluída, será o segundo maior corredor de grãos e contêineres do País.

Ao todo, o traçado do projeto passa por 66 municípios: 51 no Paraná, oito no Mato Grosso do Sul e sete em Santa Catarina. A Nova Ferroeste vai unir por trilhos Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, que são dois dos principais polos exportadores do agronegócio brasileiro, se transformando então no segundo maior corredor de transporte de grãos e contêineres do País, perdendo em capacidade somente para a malha paulista. A ferrovia será verde e sustentável.