EUA aplicam nova punição tarifária ao Brasil por importação de produtos de trabalho forçado

Política

Uma nova rodada de punições tarifárias impostas pelo governo dos Estados Unidos voltou a atingir o Brasil, que agora enfrenta tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os seus produtos exportados ao mercado americano. A medida decorre de uma investigação que concluiu que 60 nações falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias fabricadas com trabalho forçado.

Base legal e órgão responsável pela decisão

A decisão foi tomada pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), órgão equivalente a um ministério do comércio, e tem como fundamento a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A investigação que deu origem às novas tarifas teve início em março. Assim como ocorreu na punição anterior ao Brasil por “práticas abusivas” ou “irrazoáveis”, a mesma base jurídica foi utilizada para justificar as sobretaxas.

Concorrência desleal contra empresas e trabalhadores americanos

Na avaliação do governo americano, a conduta desses países é “irracional” e restringe o comércio dos EUA ao criar uma concorrência desleal para as empresas e trabalhadores americanos. A falta de mecanismos eficazes de controle sobre a cadeia produtiva permite que mercadorias fabricadas sob condições de trabalho forçado entrem no mercado internacional com custos artificialmente baixos.

Dois grupos de países com tarifas distintas

A sobretaxa varia conforme o grau de comprometimento de cada nação com o combate ao problema. Países que já possuem alguma proibição parcial ou que se comprometeram formalmente a aplicar regras por meio de acordos de comércio recíproco receberão uma tarifa adicional de 10%. Nessa categoria estão os integrantes da União Europeia, México, Canadá, Indonésia, Paquistão e Equador.

Já as nações que não realizam nenhum tipo de controle sobre a entrada de produtos oriundos de trabalho forçado terão seus bens sobretaxados em 12,5%. O Brasil se enquadra nesse segundo grupo, ao lado de China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina e Arábia Saudita, entre outros.

Lista completa dos 60 países punidos pelos EUA

  • África do Sul
  • Argélia
  • Angola
  • Argentina
  • Austrália
  • Bahamas
  • Bahrein
  • Bangladesh
  • Brasil
  • Camboja
  • Canadá
  • Catar
  • Cazaquistão
  • Chile
  • China
  • Colômbia
  • Coreia do Sul
  • Costa Rica
  • Egito
  • El Salvador
  • Emirados Árabes Unidos
  • Equador
  • Filipinas
  • Guatemala
  • Guiana
  • Honduras
  • Hong Kong (Região Administrativa Especial da China)
  • Índia
  • Indonésia
  • Iraque
  • Israel
  • Japão
  • Jordânia
  • Kuwait
  • Líbia
  • Malásia
  • Marrocos
  • México
  • Nicarágua
  • Nigéria
  • Noruega
  • Nova Zelândia
  • Omã
  • Paquistão
  • Peru
  • Reino Unido
  • República Dominicana
  • Rússia
  • Arábia Saudita
  • Singapura
  • Sri Lanka
  • Suíça
  • Taiwan
  • Tailândia
  • Trinidad e Tobago
  • Turquia
  • União Europeia
  • Uruguai
  • Venezuela
  • Vietnã