O governo dos Estados Unidos concedeu autorização formal para que a CIA realize operações secretas dentro da Venezuela, com o objetivo de enfraquecer o regime de Nicolás Maduro. A informação foi divulgada por veículos da imprensa americana nesta quarta-feira (15) e marca uma escalada na postura de Washington em relação a Caracas.
De acordo com as reportagens, a autorização prevê ações de inteligência e sabotagem que podem ser executadas de forma unilateral ou em conjunto com operações militares de grande porte. A medida representaria o fim da fase diplomática com o governo venezuelano, após meses de tentativas frustradas de negociação.
Fim das negociações e justificativas
Fontes ligadas ao governo norte-americano afirmam que a decisão reflete a frustração da Casa Branca com a falta de avanços diplomáticos. O governo de Maduro teria rejeitado propostas de cooperação econômica e de abertura do setor petrolífero a empresas estrangeiras, o que levou Washington a optar por ações mais agressivas.
Autoridades americanas justificam a nova diretriz alegando que a Venezuela abriga organizações criminosas e redes de narcotráfico internacional. O regime de Maduro é acusado de permitir a atuação do chamado Cartel de los Soles, supostamente formado por militares e políticos próximos ao governo.
A administração americana também argumenta que o país sul-americano tem servido de rota para o tráfico de drogas e estaria envolvido em operações de desinformação e espionagem regional.
Escalada militar no Caribe
Nas últimas semanas, os Estados Unidos reforçaram sua presença militar no mar do Caribe, com o envio de navios de guerra, submarinos e cerca de 10 mil militares para a região. A mobilização é vista por analistas como um cerco estratégico à Venezuela, visando limitar as ações militares de Caracas e pressionar o governo chavista.
Essa operação é uma das maiores desde 2019 e tem sido coordenada pelo Comando Sul das Forças Armadas Americanas, com o apoio de países aliados no Caribe.
“A missão visa proteger os interesses americanos e impedir a expansão de regimes autoritários na região”, afirmou um oficial do Departamento de Defesa sob condição de anonimato.
Impasses jurídicos
A medida, no entanto, enfrenta desafios legais dentro dos Estados Unidos. Pela Constituição, apenas o Congresso pode autorizar ações militares diretas ou declarações de guerra. Para contornar essa limitação, o governo tem enquadrado as operações como parte de uma campanha de combate ao narcotráfico internacional, o que permite ações preventivas e uso limitado da força.
O plano prevê ataques aéreos e missões de reconhecimento sob a justificativa de proteger embarcações e rotas comerciais no Caribe. Especialistas alertam, porém, que o movimento pode aumentar o risco de confronto direto com as forças venezuelanas.
Reação de Caracas
O governo da Venezuela reagiu com indignação às informações e afirmou que qualquer ação militar ou operação encoberta será tratada como ato de agressão e violação da soberania nacional.
O Ministério da Defesa venezuelano declarou estar em “alerta máximo” e anunciou exercícios militares próximos à fronteira marítima. Em comunicado, Caracas classificou a decisão dos Estados Unidos como “uma nova tentativa de intervenção imperialista disfarçada de operação antidrogas”.


