Nesta sexta-feira (30), duas operações policiais ocorrem em Florianópolis, São José, Palhoça e Canoas (Rio Grande do Sul). A investigação é realizada para apurar possíveis problemas em contratações feitas pela Secretaria de Estado da Administração e pelo Porto de São Francisco do Sul durante a gestão de Carlos Moisés. No total, são cumpridos nove mandados de busca e apreensão.
Entre os alvos da operação, feita pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Combate à Corrupção e da Delegacia de Investigação à Lavagem de Dinheiro, está o coronel aposentado da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) e ex-secretário de Administração, Jorge Eduardo Tasca.
Por nota, assinada pelo advogado Noel Antonio Baratieri, o ex-secretário afirmou a inocência e destacou que está disposto a prestar qualquer informação sobre seus atos no exercício de funções públicas.
Confira o comunicado na íntegra:
O ex-secretário de Administração do governo de Santa Catarina reafirma sua inocência, destaca que está tranquilo e disposto a prestar qualquer informação sobre seus atos no exercício de funções públicas, como fez ao longo de toda a sua carreira – seja na Polícia Militar, seja à frente da Secretaria de Estado da Administração do Governo do Estado.
Afirma ainda que as contratações seguiram os trâmites legais, que poderão ser apurados pelas autoridades competentes.
Todas as ações por ele conduzidas ao longo dos mais de 30 anos de carreira foram pautadas pela ética e pelo rigor com a coisa pública, o que reforça esse compromisso em contribuir com a operação.
O ex-Secretário afirma ainda que não há qualquer passagem em sua vida pública que o desabone, o que garante a sua confiança na justiça e nas instituições.
Operação Irmão em Armas
A Operação Irmão em Armas, deflagrada nesta sexta-feira, apura possíveis problemas em contratações feitas pela Secretaria de Estado da Administração e pelo Porto de São Francisco do Sul durante a gestão de Carlos Moisés.
Segundo a investigação, houve contratação com dispensa de licitação de um programa de computador de uma empresa de Florianópolis. Esse programa foi escolhido pelo governo para gerenciar o desempenho com base em uma metodologia específica (Metodologia Multicritério de Apoio à Decisão Construtivista – MCDA-C). Esse mesmo sistema já era usado pela Polícia Militar desde 2013, porém, já possuíam um programa similar mais barato.
A investigação descobriu que pessoas ligadas à secretaria e ao Porto de São Francisco do Sul, que estavam envolvidas na contratação, também tinham ligações com a Polícia Militar de Santa Catarina e foram responsáveis por implementar essa metodologia na instituição.
A contratação da empresa foi feita sem licitação, depois de solicitar orçamentos de outras empresas, mas apenas a empresa escolhida respondeu.
Alegaram que essa empresa era a única opção disponível no mercado adaptada para essa metodologia, pois as outras empresas não responderam aos pedidos de orçamento. O mesmo processo foi repetido no Porto de São Francisco do Sul, seguindo a decisão da Secretaria de Estado da Administração. Além disso, descobriu-se que o documento usado para contratar a empresa no Porto foi feito pelo dono da própria empresa.
Segundo a polícia, existem indícios de que o programa sequer tenha sido usado no Porto de São Francisco do Sul. Estima-se que o prejuízo causado por essa contratação seja de aproximadamente R$ 1.500.000,00.



