As exportações de carne de frango de Santa Catarina registraram queda em maio de 2025. Segundo o Boletim
Agropecuário de junho, elaborado pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Cepa), o estado
embarcou 81,6 mil toneladas no mês, volume 24,7% menor em comparação com abril e 9,0% inferior ao registrado em maio de 2024.
As receitas com as exportações também tiveram recuo. Foram cerca de US$ 169,5 milhões, o que representa quedas de 26,2% na comparação mensal e de 2,1% frente ao mesmo mês do ano passado. De acordo com o boletim, a retração é reflexo da repercussão do foco de influenza aviária (H5N1) registrado no Rio Grande do Sul, que resultou em embargos temporários de alguns países importadores, mesmo com Santa Catarina mantendo o status de zona livre da doença.
No acumulado de janeiro a maio, o estado segue com desempenho positivo. Foram embarcadas 496,8 mil toneladas de carne de frango, crescimento de 5,5% em relação ao mesmo período de 2024. As receitas somaram US$ 1,02 bilhão, alta de 13,6%. Santa Catarina respondeu por 22,6% do volume e 24,5% do valor das exportações brasileiras no período.
Cenário nacional
No Brasil, as exportações de carne de frango, incluindo todos os produtos, totalizaram 393,4 mil toneladas em maio.
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o número representa uma queda de 12,9% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o país exportou 451,6 mil toneladas.
A receita obtida com as vendas externas foi de US$ 741,1 milhões, queda de 9,5% frente aos US$ 818,7 milhões
registrados em maio de 2024. De acordo com a ABPA, cerca de 20 mercados suspenderam temporariamente as importações após o foco de influenza aviária no Rio Grande do Sul. Mesmo assim, os embarques ficaram próximos das 400 mil toneladas. O presidente da entidade, Ricardo Santin, informou que o setor tem feito o redirecionamento de cargas para outros destinos para manter o fluxo comercial.
No acumulado do ano, o volume exportado de janeiro a maio somou 2,256 milhões de toneladas, crescimento de 4,8% em relação ao mesmo período de 2024. As receitas totalizaram US$ 4,234 bilhões, alta de 10,18%. Entre os principais destinos em maio, a China importou 35,8 mil toneladas (-28%), a África do Sul 25,5 mil toneladas
(-20,5%) e o México 16,6 mil toneladas (-18,8%). As exportações para a União Europeia cresceram 46,2%, com 24,8 mil toneladas embarcadas no mês.
Status de país livre da Influenza Aviária deve normalizar exportações
O Brasil oficializou, no dia 18 de junho, a autodeclaração de país livre de Influenza Aviária. O documento foi entregue pelo Ministério da Agricultura e Pecuária à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebrou a medida. Segundo o presidente da entidade, Ricardo Santin, a oficialização representa um passo importante para a retomada das exportações aos mercados que ainda mantêm restrições ou suspensões. A expectativa é de que o comércio internacional seja totalmente normalizado ao longo do próximo mês.
Santin explicou que o vazio sanitário de 28 dias corresponde a dois ciclos de vida do vírus, o que assegura que a granja com ocorrência da doença esteja totalmente livre. “A autodeclaração restabelece o nosso status sanitário”, afirmou.
O presidente da ABPA destacou ainda que, enquanto várias nações produtoras de aves enfrentam surtos da doença, o
Brasil superou a única ocorrência registrada na história da avicultura nacional. Santin disse estar confiante na rápida
normalização do fluxo de exportações e no fortalecimento do papel do país na segurança alimentar global.
Carne suína tem melhor maio da história.
Santa Catarina também teve desempenho expressivo nas exportações de carne suína. Em maio, foram embarcadas 59,2 mil toneladas, queda de 8,5% em relação a abril, mas alta de 8,8% frente ao mesmo mês do ano passado. As receitas alcançaram US$ 147,5 milhões, redução de 5,3% na comparação mensal, mas crescimento de 20,4% frente a maio de 2024.
Segundo a Epagri/Cepa, o resultado representa o melhor desempenho para o mês de maio desde o início da série
histórica, em 1997. No acumulado de janeiro a maio, o estado exportou 299,4 mil toneladas e obteve US$ 726 milhões em receitas, com altas de 8,7% em volume e 18,1% em valor na comparação com 2024. Santa Catarina respondeu por 53% do volume e 53,4% da receita das exportações brasileiras de carne suína no período.
Leite: leve alta na captação e queda nos preços
No setor leiteiro, Santa Catarina manteve a terceira posição nacional na captação de leite cru inspecionado no primeiro trimestre de 2025. O estado registrou 790,7 milhões de litros captados, crescimento de 0,8% em relação ao mesmo período de 2024.
Em maio, as exportações de lácteos somaram 66 toneladas, aumento de 200% em comparação ao mesmo mês do ano
anterior. O desempenho ajudou a reduzir em 77% o déficit na balança comercial do setor. O preço médio pago ao produtor caiu para R$ 2,72 por litro, redução real de R$ 0,04 em relação a abril. No atacado, os preços dos derivados apresentaram queda, com destaque para a mussarela (-2,7%) e o queijo prato (-4,2%). O leite em pó teve leve alta no período. Os custos de produção também recuaram, com o custo médio do leite em R$ 1,91 por litro, 6% inferior ao de abril de 2024.




