O empresário do setor diz que antes da pandemia pagava cerca de R$ 0,65 por uma garrafa long neck, e hoje está mais de R$ 1,35.
Para Valmir Zanetti, diretor da Cerveja Blumenau e presidente do Vale da Cerveja, que reúne 13 cervejarias do Vale Europeu, esse aumento de preço precisa ser repassado ao consumidor, o que torna o mercado menos competitivo.
“Está inviabilizando a concorrência com as empresas maiores. As empresas pequenas não conseguem mais comprar a garrafa da indústria, tem que comprar do atravessador, isso encarece e deixa ela menos competitiva. Muitas pequenas cervejarias estão saindo do segmento de garrafas. Há uma tendência de se concentrar de novo em poucas marcas com garrafas”, relata.
No verão o problema de falta de garrafas pode se agravar, segundo Alexandre Mello. Em vez de dobrar a produção, como geralmente acontece, as cervejarias menores terão que produzir menos.
“A tendência é que fique ainda mais difícil conseguir embalagens a preços competitivos. Algumas fábricas já reduziram a produção, pois nem sempre conseguem encontrar embalagens de vidro nos distribuidores”, relata.
Com expectativa de uma temporada de verão com movimento do pré-pandemia em Santa Catarina, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), diz que não faltará cerveja.
“Por enquanto não estamos tendo problema de falta de cerveja e não acreditamos que esse será um problema do setor no verão. Se tem ruptura numa semana, por alta demanda, na outra já é abastecido. O consumidor catarinense não será afetado”, explica Juliana Mota, conselheira da Abrasel/SC.
De acordo com Lucien Belmonte, superintendente da Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro), estava previsto que o aumento da demanda por garrafas neste verão iria tornar o produto mais escasso. Segundo ele, as empresas que compraram antes, por volta de maio de 2021, estão em uma situação mais confortável.
“Quem usa garrafa sabe que o mercado ia estar justo. Não é produto de prateleira, você não tem sobra de vidro. Quem se antecipou para comprar não está tendo problema. Não vai faltar cerveja”, diz.
O problema da falta de vidro já existia antes da pandemia, mas durante o ano de 2020 se intensificou. É um problema mundial e estrutural, por falta de indústrias, explica o superintendente da Abividro.
Um investimento de R$ 2 bilhões foi feito para implantar novas fábricas de vidro do Brasil. A previsão é de que as indústrias comecem a funcionar entre a metade de 2022 e 2023, quando a situação para quem depende das garrafas de vidro deve melhorar. As informações são do NSC Total.