Família de bebê capinzalense comemora aprovação do primeiro remédio para tratar Atrofia Muscular Espinhal

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Capinzal – A família do bebê Luiz Miguel Kerber, 10 meses, comemora a aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na sexta-feira (25), do o registro do primeiro medicamento para tratar Atrofia Muscular Espinhal (AME), uma doença genética rara que, nos casos mais graves, dá expectativa de vida até os 2 anos de idade.

Luiz Miguel está internado na UTI neonatal do Hospital São Francisco de Concórdia. Ele nasceu no dia 20 de outubro de 2016 em Capinzal, quando foi diagnosticado com Atrofia Muscular Espinhal. Ele ficou um período internado em hospital de Joaçaba e, posteriormente, foi está transferido para Concórdia. Segundo os médicos, a doença causa hipotonia (redução ou perda do tono muscular), dificuldade de respirar e se alimentar sozinho. A criança sobrevive com ajuda de aparelhos.

Os pais Suzane Kerber e Jocimar precisaram se mudar para Concórdia a fim de acompanhar o filho. A liberação do nusinersen (substância que atende pelo nome comercial de Spinraza) no Brasil era muito aguardada pelos familiares das crianças com essa condição, especialmente depois que foi aprovada, em dezembro do ano passado, pela agência regulatória dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA).

A aprovação da Anvisa foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira, dia 28. O medicamento será vendido na forma de solução injetável e concentração de 2,4 mg/mL. A detentora do registro do medicamento no país é a empresa Biogen Brasil. Até agora, os pais que importavam esse medicamento do exterior tinham que gastar em torno de R$ 3 milhões, somando-se os custos do próprio remédio e os impostos para que ele pudesse entrar no país. E esse valor é referente apenas ao primeiro ano de tratamento.

A AME ataca o sistema nervoso até o ponto em que o paciente não consegue se mover ou mesmo respirar. Ela atinge um em cada 10 mil bebês nascidos. A doença se caracterizada pela degeneração de neurônios motores da coluna vertebral e, até o momento, não tinha opções terapêuticas disponíveis no Brasil.

— É um medicamento que muda a história da AME, dando uma possibilidade concreta de melhora significativa na qualidade de vida dos portadores dessa doença — ressaltou o diretor-presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa em entrevista ao Jornal O Globo.

A intenção dos pais de Luiz Miguel é que o governo federal, através do Sistema Único de Saúde (SUS) disponibilize gratuitamente o medicamento.