Fechamento de MEIs cresce 44% no primeiro semestre de 2023 e atinge maior volume em nove anos no RS

Política

Após abertura acelerada durante a pandemia, os novos registros de microempreendedor individual (MEI) estabilizam, enquanto o número de fechamentos salta no Rio Grande do Sul. No primeiro semestre deste ano, a extinção desse tipo de negócio aumentou 44,13% no Estado ante o mesmo período do ano passado. Os dados são da Junta Comercial, Industrial e Serviços do Rio Grande do Sul (JucisRS).

Aquecimento do mercado de trabalho e falta de gestão em empresas abertas por necessidade estão entre alguns dos fatores que ajudam a explicar esse movimento. O processo pode gerar mais previsibilidade para trabalhadores que migram para CLT, mas também abre espaço para alta na informalidade, segundo especialistas.

No acumulado de janeiro a junho, o Estado anotou a extinção de 52.736 MEIs — ‭16.148‬ a mais na comparação com o mesmo recorte de tempo em 2022 e o maior número absoluto pelo menos desde 2015. Giulia Mattos, especialista em MEIs do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Estado (Sebrae-RS), afirma que a alta expressiva no fechamento desse tipo de empresas é reflexo do comportamento do mercado de emprego formal. Com a saída do período mais crítico da pandemia, as contratações retomaram e abriram espaço para migração de empreendedores individuais para o regime tradicional de trabalho.

— É um sinal de que o país se encontra em um período de recuperação dos impactos que a covid causou financeiramente. Esses percentuais, que em um primeiro momento geram preocupação, podem indicar que há um mercado se recuperando para os padrões, de sazonalidade inclusive, após dois anos de movimentos atípicos — avalia Giulia.

A especialista explica que, durante a pandemia, parte dos trabalhadores que perderam emprego acharam no MEI uma oportunidade de garantir renda. Agora, parcela desses cidadãos volta para o modelo anterior à retomada.

Esse movimento não é exclusivo do Rio Grande do Sul, porque também é observado em outras regiões do país, conforme Giulia. Ela cita também o caso de MEIs extintos de maneira automática por falta de movimentação no negócio diante de dificuldades de gestão.

Lisiane Fonseca da Silva, economista que atua na área do mercado de trabalho e professora da Universidade Feevale, aborda essa parte organizacional dos negócios. A professora afirma que alguns empreendedores individuais acabam esbarrando nas dificuldades operacionais, impulsionadas por um cenário econômico restrito por juro alto, inflação e inadimplência:

— Nos anos mais recentes, a gente teve uma situação de crédito com juros muito altos e isso às vezes compromete a capacidade de gestão do negócio.

Como exemplo, Lisiane cita casos de empresários que contraíram empréstimos com taxa mais baixa durante a pandemia, mas enfrentam dificuldades para honrar as parcelas desses financiamentos em um ambiente de aperto monetário e pouca tração no consumo.

Especialistas citam a migração de alguns MEIs para outros modelos maiores de empresa dentro do processo de aumento de extinção desse tipo de negócio, mas afirmam que é difícil mensurar essa influência. (GZH)