Fotos históricas relembram construção da ponte férrea entre Marcelino Ramos e Alto Bela Vista

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Marcelino Ramos – Fotos históricas da década de 1910 mostram a construção da ponte ferroviária provisória no Rio Uruguai que liga Marcelino Ramos/RS a Alto Bela Vista/SC. O acervo pertence à família Zilli Merkle, do Paraná, e integra coleção saudoso engenheiro austríaco Paul Roch que trabalhou na construção da ferrovia.

Concluída a ponte provisória (de madeira) sobre o Rio Uruguai, a “Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande” foi solenemente inaugurada dia 17 de dezembro de 1910. Mas, a ponte foi levada pela enchente de maio de 1911 e a nova, metálica, somente ficou pronta em 1912 (a mesma que existe até hoje), possibilitando então o tráfego de trens entre os quatro Estados do Sul.

A formação da represa de Itá forçou a elevação da linha na ponte em três metros. Desde outubro de 2003, um trem turístico da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) faz o trajeto Piratuba-Marcelino Ramos.

Durante anos e anos, a ferrovia foi o único meio de comunicação e transporte que ligava o Vale do Rio do Peixe ao restante do Brasil. Além dos passageiros, ela transportava as riquezas aqui produzidas (madeiras e alimentos) e abastecia as comunidades com as mercadorias compradas nos grandes centros do país. Pela região, diariamente transitavam diversas linhas de trens – o direto e o misto – inclusive internacionais, ligando Buenos Aires ao Rio de Janeiro. As composições trafegavam à média de 20-30 km/hora.

Dominado pela corrupção, todo complexo da Brazil Railway havia entrado em concordada em 1917. Já em 1940, transcorridos os 50 anos do prazo da concessão dada em 1890, juntamente com todos os bens do Sindicato Farquhar, o governo federal encampou esta estrada-de-ferro, revertendo-a para a autarquia Rede de Viação Paraná-Santa Catarina (RVPSC), a qual, em 1957, somadas a outras autarquias, veio a constituir a Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), com 100% das ações pertencentes à União.

A partir de 1960, aos poucos as velhas locomotivas a vapor, carinhosamente chamadas pelo povo de “Maria-Fumaça”, foram sendo substituídas por máquinas a diesel. Com a abertura de estradas rodoviárias, perdendo a competitividade de fretes, também a partir de então começou a cair o movimento de trens na Ferrovia do Contestado, a ponto de já nos anos 70 ser paralisado totalmente o transporte de passageiros. Sem faturamento, a Ferrovia do Contestado entrou em processo de deterioração.

Em 1996, a malha ferroviária vinculada à 5ª Superintendência Regional (Paraná e Santa Catarina) da Rede Ferroviária Federal S/A foi privatizada, passando para a empresa Ferrovia Sul Atlântico S/A, com sede em Curitiba, com a promessa de revitalização.

Em 1998, a Ferrovia Sul Atlântico S/A foi transformada em América Latina Logística S/A – ALL, empresa que, desinteressando-se economicamente pela exploração do trecho, suspendeu o tráfego de trens e desativou totalmente a Linha Sul.

No ano de 2002, a Linha Sul, entre os rios Iguaçu e Uruguai revelou-se totalmente abandonada pela empresa ALL.