Frigorífico foi interditado após fiscais encontrarem funcionário contaminado, no Oeste

Região

Ipumirim – Auditores-fiscais do Trabalho vinculados ao Ministério da Economia interditaram nesta segunda-feira (18) uma unidade de processamento de frangos da JBS em Ipumirim devido a “graves irregularidades” no combate à transmissão do coronavírus entre funcionários. Em fiscalização, auditores depararam-se, inclusive, com empregados da fábrica com teste positivo de covid-19 trabalhando normalmente, mesmo com atestado médico para seu afastamento.

A planta frigorífica localizada no interior catarinense registra pelo menos 86 funcionários com teste positivo para o novo coronavírus em um universo de 1.500 pessoas que trabalham no local. Isso aponta que cerca de 5% dos funcionários da fábrica contaminou-se pelo vírus.

De acordo com os fiscais, os casos confirmados na fábrica são cerca 14% dos contaminados em toda região de municípios em que fica o estabelecimento e quase 2% de todos os casos do estado de Santa Catarina. O estado registrava até ontem 4.776 pacientes confirmados de covid-19, com 83 óbitos, segundo a Secretaria de Saúde.

Entre as irregularidades observadas pela inspeção estão a ausência de distanciamento mínimo entre os trabalhadores, falta de equipamentos de proteção adequado e ausência de vigilância para controle da transmissão do vírus. Na sala de corte da fábrica, por exemplo, funcionários trabalhavam com distanciamento inferior a 50 centímetros.

De acordo com a fiscalização, funcionários com sintomas gripais, que podem ser causados por contaminação do coronavírus, não estavam afastados do trabalho. Até trabalhador testado com o vírus, com medicamentos prescritos para tratamento, continuava trabalhando normalmente.

Ainda segundo a fiscalização, pelo menos 40 funcionários que pertencem a grupo de risco estariam em atividade na fábrica. Um trabalhador hipertenso não foi afastado preventivamente do trabalho, acabou contaminado pelo coronavírus e foi internado em UTI (unidade de terapia intensiva) por 10 dias.

A fiscalização também constatou que outro trabalhador, também hipertenso, só foi afastado após sofrer um mal súbito em pleno expediente. Foi encaminhado ao pronto-socorro com dificuldades respiratórias.

Nota da JBS 

NOTA

“A JBS tem como objetivo prioritário a saúde dos seus colaboradores e adota um rígido protocolo de prevenção contra a Covid-19 em suas unidades. Essas medidas seguem as orientações dos órgãos de saúde e do Hospital Albert Einstein, além de especialistas médicos contratados pela empresa para apoiar na implantação de um protocolo robusto e necessário para proteção dos seus colaboradores.

Mediante os protocolos e medidas de prevenção já implantadas, a JBS reitera que suas operações seguem os mais elevados padrões de segurança para o setor frigorífico e refuta qualquer orientação em contrário bem como as medidas injustificáveis para suspensão das suas atividades, razão pela qual a empresa irá tomar as medidas judiciais cabíveis para retomada das suas operações em Ipumirim.

São 25 anos de história dessa unidade com a comunidade de Ipumirim e, somente nessa fábrica, a empresa emprega mais de 1400 pessoas. Diariamente, a unidade de Ipumirim processa 135 mil aves. Com a suspensão dessa operação, é inevitável que a cadeia de produção, incluindo os 240 produtores rurais da região, também tenha que suspender suas atividades, o que poderá trazer graves consequências no âmbito social, econômico, sanitário e de abastecimento à população.

A interrupção das atividades na cidade promove um clima de instabilidade perante todos os colaboradores e comunidade que, de forma direta e indireta, se relaciona e depende do funcionamento da unidade.

Lamentamos profundamente toda essa insegurança e que não reflete a realidade das operações e das medidas implementadas na unidade em Ipumirim. Nossos esforços se somam ao enorme orgulho e confiança em tudo que fazemos e da relevância do nosso trabalho para levar o alimento às famílias do mundo inteiro, especialmente nesse momento tão delicado na vida de todos e em que o alimento é tão fundamental.”

Empresa se negou a parar fábrica para testar funcionários, dizem procuradores

A JBS, maior produtora de carnes do mundo, tem se mostrado resistente a adotar medidas básicas de prevenção ao contágio do covid-19, de acordo com procuradores do Trabalho ouvidos pelo UOL.

Os auditores fiscais passaram uma semana verificando a rotina do frigorífico em Ipumirim e sugeriram que a empresa o fechasse por oito dias e testasse todos os funcionários para covid-19, e só então reabri-lo novamente, porém a direção da unidade negou a proposta.

Esta é a segunda unidade da empresa interditada devido a um surto local de covid-19. No dia 24 de abril, auditores fiscais do Trabalho constataram que a unidade de processamento de frango em Passo Fundo (RS) registrava 19 infectados entre os cerca de 2.600 trabalhadores.

Menos de uma semana depois, a Justiça do Trabalho no Rio Grande do Sul obrigou a JBS a afastar das atividades funcionários que pertencem ao grupo de risco e os que tiveram contato com uma empregada que testou positivo para covid-19 em um frigorífico da cidade gaúcha de Trindade do Sul.

JBS adota recomendações, diz CEO global

Em entrevista à agência de notícias Bloomberg concedida na quinta-feira (14), o CEO global Gilberto Tomazoni disse que a JBS está seguindo todas as recomendações das autoridades de saúde e contratou consultores renomados na área para tentar manter os trabalhadores seguros.

A empresa está aumentando a produção de carne bovina e suína dos EUA após a reabertura de fábricas que foram fechadas devido a surtos de covid-19.

Durante a semana, a JBS havia divulgado que seu conselho de administração aprovou a doação de R$ 700 milhões para combate à pandemia.

Desse montante, R$ 400 milhões serão dirigidos ao Brasil, para saúde pública, assistência social e apoio à ciência e tecnologia, informou a empresa, acrescentando os recursos com itens como máscaras de proteção, equipamentos de proteção individual, cestas básicas, leitos de UTI e construção de hospitais.

Os R$ 300 milhões de reais restantes serão doados no exterior, majoritariamente nos Estados Unidos. (UOL)