Estado – A pandemia de coronavírus mudou a rotina dos moradores de Santa Catarina e também de muitos trabalhadores dos serviços considerados essenciais. Com medo de contaminação e para seguir normas, os agentes funerários redobraram os cuidados. O Governo de Santa Catarina emitiu nota técnica orientando sobre os protocolos a serem seguidos por esses profissionais.
Funerais de pessoas confirmadas com a doença ou suspeitas devem ser evitados ou ter no máximo 10 pessoas e o sepultamento tem que ocorrer no mesmo dia da morte, inclusive quando não há suspeita de Covid-19.
O enterro de Harry Klueger, primeiro idoso que morreu diagnosticado com a doença em Santa Catarina, foi em Blumenau, no Vale do Itajaí, por volta das 16h do dia 25 de março. Ele morreu na madrugada e a confirmação de Covid-19 saiu à noite. A funerária que cuidou do corpo informou que tomou os devidos cuidados no funeral e que foram usados equipamentos de proteção individual no manuseio do corpo, mas que não sabiam que ele seria um caso suspeito da doença.
A Secretaria Municipal de Saúde de Blumenau desconhecia que uma pessoa com caso confirmado havia sido sepultada na cidade. A família também não sabia do possível diagnóstico.
Segundo a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive-SC), o município que deve ser notificado sobre a doença é o de residência do paciente. No entanto, a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Belo, onde ele morava, soube do caso no dia seguinte ao enterro. Antes de ser internado no Hospital Regional de São José, onde morreu, o idoso esteve por seis dias em Antônio Carlos em uma casa de repouso.
Já o corpo do empresário de Joinville, segunda pessoa que morreu por coronavírus em Santa Catarina, foi cremado, segundo a Prefeitura. A família não quis falar sobre o assunto.
Cuidados que devem ser tomados
Segundo a nota técnica do Governo do Estado, os cuidados em velórios devem ser tomados no caso de qualquer morte durante a pandemia. Os velórios devem ser restritos aos familiares e amigos mais próximos e durar poucas horas. Não deve, por exemplo, ocorrer de um dia para outro, como era comum antes da quarentena.
Familiares e responsáveis por velórios:
● Familiares devem evitar tocar o corpo, e se o fizerem, realizar a higienização das mãos com álcool em gel 70%;
● se o familiar for caso suspeito ou confirmado de novo coronavírus, também utilizar máscara cirúrgica descartável e evitar o contato com outras pessoas;
● os funerais deverão ser realizados apenas com familiares diretos e amigos próximos, recomendando-se no máximo 10 pessoas no local para evitar aglomerações;
● os funerais devem ser realizados somente no dia do sepultamento;
● o acesso ao caixão deve ocorrer de forma individual;
● é recomendada a suspensão de cultos ecumênicos e cortejos fúnebres para velórios;
● os velórios devem ser realizados em capelas mortuárias;
● manter sempre os ambientes ventilados;
● intensificar a frequência de higienização: das salas, copas, banheiros, maçanetas, mesas, balcões, cadeiras com água e sabão;
● disponibilizar produtos como sabonete líquido e toalhas de papel descartáveis nas instalações sanitárias;
● as capelas mortuárias devem ser totalmente higienizadas a cada velório.
Transporte dos corpos:
● a instituição onde a vítima morreu deverá comunicar ao serviço funerário quando há suspeita ou confirmação da morte por infecção pelo novo coronavírus;
● se o serviço funerário for chamado para atender alguém que morreu em casa, os profissionais devem utilizar EPIs de precaução de contato durante qualquer manipulação do corpo ou nos procedimentos;
● após a manipulação do corpo, retirar e descartar as luvas, máscara e avental como resíduo infectante;
● não há contraindicação quanto ao material utilizado na confecção do caixão;
● realizar a desinfecção das alças do caixão com álcool 70% ou outro desinfetante padronizado, após fechá-lo.
Funerárias:
● é recomendável que se manipule o corpo o mínimo possível;
● não é recomendável a realização de procedimentos de tanatopraxia;
● é proibida a realização de procedimentos de formolização, embalsamamento;
● o preparo do corpo deve ser em local isolado dos demais e, quando não houver essa possibilidade, deve se estabelecer barreira técnica (de local e de tempo) e fazer procedimentos de limpeza e desinfecção da sala após cada manipulação;
● os profissionais devem seguir as recomendações e precauções padrão no cuidado do corpo, utilizando EPIs em todas as etapas do preparo.
Crematórios:
● ter câmara fria com área mínima de 8,00 m², ou dimensionada para a quantidade de corpos que ficarão acondicionados, não sendo permitido o acúmulo deles;
● os corpos devem ser cremados individualmente, podendo no caso de óbito de gestante, incluir o bebê;
● as cadeiras para os usuários devem obedecer ao distanciamento de dois metros;
● os ambientes devem ser mantidos ventilados;
● deve se intensificar a frequência de higienização: das salas, copas, banheiros, maçanetas, mesas, balcões, cadeiras com água e sabão.



