Governo deu “sorte”, mas 2024 será ano “complicado”, diz economista

Política

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve “sorte” na economia em seu primeiro ano, ajudado pelo desempenho extraordinário do agronegócio no primeiro trimestre e por um cenário externo desafiador para os países desenvolvidos e outros emergentes, o que deixou o Brasil mais bem posicionado em termos competitivos. A avaliação é de Gabriel Leal de Barros, sócio e economista-chefe da Ryo Asset e ex-diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), com passagens por BTG Pactual e RPS Capital.

“O governo deu sorte neste ano. Teve sorte externamente, por causa da piora fiscal do mundo, que ficou em uma situação muito mais complicada”, afirma Barros, em entrevista ao Metrópoles. “No cenário interno, o governo também deu sorte com a supersafra do agro, que salvou o primeiro semestre em termos de PIB. Não fosse a supersafra, teríamos um PIB muito pior neste ano. Então, podemos dizer que foi um misto de sorte com algumas medidas tomadas pelo governo que, se não são excelentes, são menos piores do que o mercado projetava no início do ano.”

Na conversa com a reportagem, em que faz um balanço da economia do país em 2023 e traça perspectivas para 2024, o economista destaca a aprovação da reforma tributária, sacramentada pela Câmara dos Deputados na sexta-feira (15), mas alerta para os problemas do plano fiscal do governo, que classifica como “falho”, “frágil” e excessivamente dependente do aumento de receitas.

“Quando o mercado olha para o Fernando Haddad, vê uma tentativa de realmente entregar algo melhor do que o que temos hoje. Mas sabemos que o Haddad é uma ilha dentro do governo”, diz Barros. “E o plano do Haddad é falho, é frágil. Ele só tem uma bala. A bala de prata é conseguir ter sucesso nessas medidas de receita. Se der errado, já era. Não há nenhum plano B. O plano de voo fiscal não é equilibrado.”

Segundo o ex-diretor da IFI, a tendência é a de que o Brasil enfrente um ambiente econômico muito mais turbulento em 2024, com o Produto Interno Bruto (PIB) confirmando a desaceleração registrada nos últimos meses e inflação e desemprego voltando a subir.

“Em 2024, a reboque da desaceleração do PIB, teremos o desemprego aumentando e a inflação de alimentos subindo. Será um ano muito mais complicado. O PIB mais fraco do ano que vem vai afetar o fiscal. Com um crescimento menor, o governo terá menos receita”, projeta. (Metrópoles)