EUA – Bolsonaro desembarcou ontem à tarde nos Estados Unidos para uma agenda de praticamente 48 horas, onde o pêndulo do governo balançará entre a parte econômica, capaz de alavancar o país a outro patamar — e, com isso, o prestígio de seu governante —, e uma parte mais ideológica, que estreita o diálogo com outras forças políticas, importantes. As frases polêmicas de Olavo, avaliam alguns aliados do presidente, fazem com que o presidente termine mais dedicado à pauta econômica.
Hoje, por exemplo, o ponto alto da agenda será o discurso na Chamber of Commerce, a Câmara de Comércio, onde a maioria dos ministros tem extensa agenda de negócios. As exceções são Sérgio Moro, da Justiça, que conversará com o chefe do FBI; e Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia, que estará dedicado aos acordos sobre a base de lançamento de Alcântara. Ontem, ao sair para o jantar, o ministro fez questão de frisar que não haverá desrespeito à soberania do Brasil. Todos os sete ministros participaram do jantar na embaixada do Brasil, o primeiro compromisso do presidente em Washington, onde ele discursou para a seleta plateia.
Nesse primeiro discurso, mais protocolar, o presidente mencionou, nas palavras do porta-voz, que “democracia e liberdade são o que une os dois países neste momento”. Rego Barros mencionou ainda que os objetivos dessa viagem são “fortalecer o nosso comércio, reconhecendo que os Estados Unidos são o segundo mercado para os produtos brasileiros; a diplomacia de fortalecer a democracia nesse lado do Ocidente é extremamente importante, reconhecendo que aspectos relativos ao antigo comunismo não podem mais imperar nesse ambiente que vivenciamos”.
Washington — Duas horas antes de o presidente Jair Bolsonaro desembarcar na capital dos Estados Unidos — ele pousou na base aérea 15h40 — ativistas americanos e brasileiros organizaram uma manifestação dos moldes do “ele não” que marcou a oposição ao candidato do PSL na campanha presidencial no ano passado. Em número bastante reduzido, cerca de 50 pessoas, entre ativistas e estudantes, se posicionaram no gramado da Lafayette Square, em frente à Casa Branca, se revezando ao microfone. “A maioria da comunidade brasileira em Washington é apoiadora de Bolsonaro, busca esse sonho americano que ele prega, mas para isso, é preciso fazer muita coisa ainda no nosso país”, comentou a professora Marina Caetano, 27 anos.
Quando Bolsonaro chegou à Blair House, atrás da Casa Branca, a manifestação já havia terminado. Ele acenou para algumas pessoas que estavam lá, em seu apoio. Thiago, pastor que faz mestrado em Teologia nos Estados Unidos, fez questão de ir até lá vestido com a camisa da Seleção Brasileira. Disse que está esperançoso nas mudanças que o presidente proporcionará ao Brasil. O deputado Eduardo Bolsonaro, que soube da manifestação pelos jornalistas, comentou que críticas são “bem-vindas e fazem parte da democracia”.
(Informações Correio Braziliense)


