Os gastos do governo federal com a remuneração de servidores em cargos e funções comissionadas quase dobraram nos últimos cinco anos — um salto que acende um alerta sobre o inchaço da máquina pública e o uso de recursos pagos pelo contribuinte.
Segundo levantamento divulgado pelo R7, as despesas passaram de R$ 564 milhões em 2019 para R$ 1,6 bilhão em 2024, representando um crescimento de 181%. Na prática, o governo não só aumentou os gastos como expandiu o número de cargos comissionados, muitos deles preenchidos sem concurso público.
Crescimento dos gastos com cargos comissionados
• 2025 (até outubro): R$ 1.589.364.854,64
• 2024: R$ 1.628.568.380,29
• 2023: R$ 1.421.304.817,65
• 2022: R$ 981.703.104,79
• 2021: R$ 759.395.680,98
• 2020: R$ 728.722.441,19
• 2019: R$ 564.550.020,41
Número de cargos comissionados
• 2025: 50.124
• 2024: 49.421
• 2023: 47.726
• 2022: 46.259
• 2021: 32.965
• 2020: 32.267
• 2019: 31.805
Os números revelam que, mesmo em meio a discursos sobre controle de gastos, o governo mantém uma escalada agressiva na criação e manutenção de cargos comissionados. Só de 2021 para 2025, o aumento no total de servidores nessas funções foi de mais de 52%.
Enquanto isso, áreas essenciais do serviço público sofrem com falta de pessoal, concursos são adiados e a carga tributária sobre a população continua elevada.
O crescimento bilionário, ano após ano, reforça críticas sobre a priorização política na distribuição desses cargos — que, historicamente, servem de moeda de troca para ampliar apoio em Brasília.
O contribuinte também sente no bolso: mais cargos, mais gastos, mais pressão sobre o orçamento federal.


