Governo Lula restringe entrada de dois funcionários do governo norte-americano

Política

Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) negou os pedidos de visto feitos por dois funcionários do governo dos Estados Unidos que planejavam viajar ao Brasil para tratar de questionamentos sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro.

Os diplomatas Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente do Departamento de Estado americano, foram citados pelo jornal The Washington Post como integrantes de uma missão destinada a levantar dúvidas sobre a segurança e a confiabilidade das urnas eletrônicas utilizadas no Brasil.

A negativa dos vistos ocorreu nesta sexta-feira (24), antes da publicação da reportagem do jornal americano. Segundo informações obtidas pela imprensa, o governo brasileiro teria sido informado sobre o caráter da viagem e avaliado que a missão teria uma finalidade diferente da atuação tradicional de observadores internacionais.

De acordo com fontes diplomáticas, o Brasil costuma receber representantes estrangeiros durante processos eleitorais, mas, neste caso, a avaliação foi de que os funcionários americanos não atuariam como observadores, mas com outro objetivo.

STF critica possível missão

Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), ministros classificaram a iniciativa como “escandalosa” e “inusitada”. Segundo integrantes da Corte, a visita poderia representar uma tentativa de interferência externa em um assunto considerado de competência das instituições brasileiras.

A movimentação ocorre após declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, que levantou questionamentos sobre as urnas eletrônicas durante encontro com representantes diplomáticos de cerca de 40 países.

Flávio afirmou que o Brasil utiliza equipamentos produzidos por uma empresa venezuelana que teria histórico de suspeitas, informação que já foi negada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O senador, por sua vez, afirma não questionar o sistema eleitoral brasileiro e defende a presença de observadores internacionais nas eleições de 2026.

Segundo assessores do governo brasileiro, a coincidência entre as declarações de políticos brasileiros e a possível missão americana levantou suspeitas sobre uma articulação para colocar em dúvida a credibilidade do sistema eleitoral.

Os Estados Unidos ainda não se manifestaram oficialmente sobre a negativa dos vistos.