Gravidez na adolescência está abaixo das médias nacionais e mundiais em Santa Catarina

Região

Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado neste mês revela que o Brasil tem 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes a cada mil meninas de 15 a 19 anos. O índice está acima da média da América Latina, de 65,5, e do mundo, estimada em 46 nascimentos a cada mil mulheres jovens. Na contramão, Santa Catarina tem 26,9 bebês nascidos vivos a cada 1 mil meninas de 10 a 19 anos, de acordo com o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), do Sistema Único de Saúde (SUS).

As regiões com mais filhos de mães adolescentes são o Nordeste e o Sudeste (ambos com 32%). A porção Norte do Brasil vem em terceiro lugar (14%), seguido da região Sul (11%) e Centro-Oeste (8%). O número correspondente à gravidez na adolescência no Estado teve uma ligeira alta de 2010 para 2015, reflexo do envelhecimento da população, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. Para a coordenadora da Rede Cegonha em Santa Catarina, Carmem Delziovo, a realidade local é justificada pelo índice de desenvolvimento humano (IDH) da população, maior quando comparado a outras regiões do país e do mundo.

– Acreditamos que esse número se deve ao acesso à informação e à saúde pelos adolescentes do Estado, que em geral têm escolaridade elevada. A cobertura do Saúde da Família, que garante orientações quanto ao uso correto e fornecimento de métodos anticoncepcionais [pílula, pílula do dia seguinte, anticoncepcional injetável, preservativo, DIU, diafragma], também é outro aspecto – alega.

Para os adolescentes, a recomendação é que os contraceptivos sejam combinados: a camisinha, única a prevenir doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), somada a outro método, como a pílula. Na avaliação do contexto estadual, Carmem cita o Programa Saúde na Escola, do Ministério da Saúde, que leva informações sobre planejamento sexual e reprodutivo às salas de aula.

– São informações que envolvem profissionais de saúde, professores, pais e alunos, para que os adolescentes decidam quando iniciar a vida sexual com saúde e responsabilidade, além de evitar uma gravidez não planejada. A adesão dos municípios nessa ação contínua é voluntária e, em Santa Catarina, são 291 cidades que participam, quase a maioria – explica, complementada pela coordenadora estadual da saúde da mulher no Estado, Maria Simone Pan.

Alfredo Wagner, Rio Negrinho, São Bento do Sul e São José do Cerrito são os únicos municípios catarinenses que não participam do programa. Assim como o debate de gênero e sexualidade em sala de aula – que vem sendo proibido por meio de projetos de lei, como no mês passado em Jaraguá do Sul – esse tipo de iniciativa pode diminuir a gravidez não planejada na adolescência. Essa é a opinião das profissionais de saúde e da pesquisadora Miriam Grossi, que coordena o Núcleo de Identidade de Gênero e Subjetividades (Nigs) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Há 10 anos, a antropóloga fez uma pesquisa em 10 escolas de cinco cidades do Estado. Em todas havia pelo menos cinco grávidas recentes.

– O sexo está na vida dos jovens, mesmo que movimentos reacionários queiram acabar com essas questões, elas estão presentes. Na prática, não se fala nas escolas, porque são assuntos tabu. No entanto, eles emergem todos os dias e devem ser discutidos, porque em geral as escolas não sabem como agir com uma gravidez na adolescência – afirma Miriam.

Taxa de gravidez na adolescência em SC

A cada 1 mil meninas de 10 a 19 anos

1995: 38,33
2000: 37,68
2005: 27,31
2010: 26,55
2015: 26,91

(Diário Catarinense/Sinasc/DataSUS)