Há 72 anos de mãos dadas: a emocionante história de amor de dona Neli e seu Sylvio que atravessa gerações em Joaçaba

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Há histórias de amor que atravessam o tempo como verdadeiros patrimônios da vida. Em Joaçaba, um casal da Vila Remor carrega consigo exatamente esse significado. Nesta terça-feira (19), dona Neli, de 91 anos, e seu Sylvio, de 95, receberam a reportagem em casa, na rua Armindo Heberle, em frente à Copérdia, para celebrar um marco raro e admirável: 72 anos de casamento.

Descendentes das famílias Bonotto e Panerai, no caso de seu Sylvio, e Andres e Colin, no de dona Neli, ambos nasceram em Jaguari, no Rio Grande do Sul, e construíram juntos uma história marcada por amor, parceria, trabalho e superação.

Dona Neli tinha apenas 14 anos quando conheceu o jovem Sylvio, então com 18. O namoro começou seguindo todos os costumes da época, inclusive o pedido formal aos pais da moça. Era um tempo em que o amor era cultivado devagar, entre olhares tímidos, visitas supervisionadas e promessas silenciosas de futuro. E o futuro chegou, sólido, duradouro e repleto de memórias.

Em 1961, o casal mudou-se para São Luiz Gonzaga, na região das Missões, onde permaneceu por 48 anos. Seu Sylvio trabalhava com madeireira e lembra das inúmeras dificuldades enfrentadas naquele período, o trabalho basicamente braçal e o transporte com carro de boi. Nada, porém, foi suficiente para fazê-los desistir. Unidos, criaram os sete filhos — três mulheres e quatro homens — sempre sustentados pelo esforço, pela fé e pela cumplicidade que atravessou décadas.

Foi em 2009 que vieram para Joaçaba, acompanhando alguns dos filhos que haviam escolhido o município em busca de oportunidades. Desde então, encontraram na cidade um novo lar para continuar escrevendo capítulos dessa longa história.

Até pouco tempo, dona Neli e seu Sylvio participavam de encontros da melhor idade e encantavam pela disposição. Dançavam “de fazer inveja”, como recordam familiares, e chegaram até mesmo a representar o município em eventos. Hoje, seguem esbanjando simpatia, bom humor e uma lucidez impressionante.

Seu Sylvio ainda prepara a própria caipirinha e, preservando as raízes italianas, aprecia um bom vinho, talvez um dos segredos da longevidade, como brinca o médico da família. Ao lado da esposa, continua cultivando hábitos simples e afetivos: juntos fazem polenta, massa caseira, pão, cuca e tantas outras receitas que carregam o sabor das lembranças. Também não abrem mão de um bom jogo de cartas.

Durante a conversa, dona Neli emocionou-se em alguns momentos. A voz embargava enquanto recordava o passado e as transformações provocadas pelo tempo. Seu Sylvio, por sua vez, impressiona pela memória afiada. Ainda hoje realiza cálculos complexos mentalmente, na ponta do lápis, e mantém um hábito antigo: medir a quantidade de chuva com um pluviômetro instalado na horta de casa. Décadas atrás, a informação era tão importante para a comunidade que até emissoras de rádio da região o procuravam para atualizar os ouvintes sobre o volume das precipitações.

Entre lembranças, risos e olhares cúmplices, o casal demonstra que o verdadeiro amor não está apenas nos grandes gestos, mas na permanência. Está na parceria construída ao longo dos anos, na capacidade de enfrentar juntos as dificuldades e no carinho que permanece vivo mesmo depois de sete décadas.

Nesta terça-feira (19), seu Sylvio puxou os parabéns e assoprou as velinhas do bolo pelos 95 anos de vida ao lado da esposa e de três dos filhos presentes. Em seguida, os dois renovaram, mais uma vez, as juras silenciosas de um amor raro, daqueles que resistem ao tempo, às dificuldades e às mudanças da vida.

No próximo fim de semana, a família estará reunida para celebrar os 72 anos de união de dona Neli e seu Sylvio. Uma história que inspira pela simplicidade, emociona pela fidelidade e comprova que o amor, quando verdadeiro, encontra maneiras de permanecer eterno.

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