O homem de 28 anos preso por assassinar os quatro filhos há pouco mais de duas semanas em Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre, revelou à Polícia Civil durante interrogatório que os crimes foram cometidos para atingir a ex-companheira, mãe das crianças, por não aceitar o término da relação. O depoimento do acusado foi colhido na última sexta-feira (23).
O caso está sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) do município. Segundo a polícia, o acusado prestou depoimento durante cerca de uma hora e alegou que amava demais a ex, mas que teve um surto no momento do crime e se mostrou arrependido. O homem também teria chorado por duas oportunidades e não conseguiu narrar a dinâmica das mortes. Ele falou aos policiais que acreditava que a ex estava em um novo relacionamento e que não premeditou os assassinatos.
Conforme a investigação, as crianças moravam com a mãe, mas estavam na casa da avó paterna, no bairro Piratini, onde vivia o pai depois da separação. O suspeito, identificado como David da Silva Lemos, teria levado os filhos para passar o fim de semana com ele, mas teria se recusado a deixar os quatro retornarem para a casa da ex-companheira na segunda-feira, dia 12. Ao buscar os filhos na terça, a mãe descobriu as mortes. Os corpos foram encontrados pela avó paterna, por volta das 19h30.
As vítimas são três meninas de 11, seis e três anos de idade, e um menino, de oito anos, identificadas, respectivamente, como: Yasmin, Giovana, Kimberly e Donavan. Segundo a polícia, a menor teria morrido asfixiada, já as demais crianças teriam sido esfaqueadas com, ao menos, 10 golpes. A arma foi apreendida na casa. Três corpos foram encontrados em dos quartos do imóvel e o cadáver da menor estava em outro quarto. A investigação confirmou a hipótese inicial de que os assassinatos ocorreram no dia 12.
A mãe das crianças, de 26 anos, possui medida protetiva contra o ex, após um episódio de agressão ocorrido em setembro. A determinação da Justiça, válida por seis meses, no entanto, não se estendia aos filhos. Testemunhas relataram à polícia que não tinham conhecimento sobre nenhum episódio de agressão do homem contra as crianças.
Os celulares apreendidos com o homem ainda estão sendo periciados. A polícia aguarda os laudos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) para dar andamento na investigação e pediu para que o prazo de conclusão do inquérito fosse estendido. Um dos pontos que devem ser esclarecidos com as análises é se o acusado teria usado alguma substância para dopar as crianças antes de matá-las. A expectativa da polícia é concluir a investigação do caso até a metade de janeiro.




