O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou nesta sexta-feira (22/09) os dados do Censo 2022 sobre cor/raça da população brasileira. A principal novidade em relação ao levantamento anterior, de 2010, está da predominância de pardos, que atingiram 92,1 milhões de pessoas, ou 45,3%.
É a primeira vez, desde 1991, que esse grupo predominou. Há dez anos, o percentual era de 43,1% (82 milhões). Esse ascensão ocorre junto com o decréscimo de pessoas que se autodeclaram brancas, com uma queda de 47,7% para 43,5% – de 91 milhões para 88 milhões de cidadãos.
A pesquisa foi realizada após dois adiamentos consecutivos. O primeiro deles, em 2020, por causa da covid-19. Os recursos previstos para o levantamento, estimados em R$ 2,3 bilhões, foram destinados ao combate à pandemia. No ano seguinte, o governo reduziu a verba da pesquisa para R$ 71 milhões, inviabilizando-a. O Censo foi iniciado em agosto de 2022 e finalizado em maio deste ano, e contou com cerca de 220 mil trabalhadores.
Entre os pretos, a população aumentou. Saiu de 14,5 milhões (7,6%) para 20,6 milhões (10,2%). “Um aumento de contingente populacional bastante significativo”, avalia à DW a antropóloga Marta Antunes, coordenadora técnica da diretoria de pesquisas do IBGE. Entre os outros grupos analisados, amarelos caíram de 1,1% para 0,4% (de 2 milhões para 850 mil pessoas), e houve aumento entre os indígenas, de 869 mil (0,5%) para 1,6 milhão (0,8%).
Nacionalmente, o país registra uma divisão. A Região Sul concentra o maior percentual de brancos, representando 72,6% da sua população, seguida do Sudeste, com 49,9%. O contingente de pretos está mais presente (13%) no Nordeste, seguido do Sudeste (10%). Os pardos estão mais espalhados – Norte (62,5%), Nordeste (59,6%) e Centro Oeste (52,4%). Amarelos aparecem mais no Sudeste (0,7%) e no Sul e Centro-Oeste empatados (0,4%).
Entre os estados, brancos estão em maior proporção no Rio Grande do Sul (78,4%), pardos no Pará (69,9%) e pretos na Bahia (22,%). Entre 2010 e 2022, as populações preta, indígena e parda ganharam participação em todos os recortes etários, enquanto as populações branca e amarela perderam participação.
Marta Antunes acredita que a variação positiva entre pardos ocorre a partir de debates sociais que emergiram com maior força nos últimos anos. Ela também destaca a integração de dados públicos como possível facilitador na compressão que os brasileiros têm de si.
“Informações do Ministério da Saúde e da Educação, que estão em conformidade com o IBGE, apresentando as mesmas categorias de brancos, pretos, pardos, amarelos e indígenas. A população tem essa reflexão sobre a autoindentificação em outras esferas, e isso não mais provocado apenas pelo Censo. O questionamento se torna menos aleatório, porque já aconteceu ao longo da década.”
Antes de entrar nos dados, qual é a importância do Censo e como seus dados podem ser utilizados em políticas públicas?
O Censo é a única pesquisa que oferece dados para os menores recortes territoriais do país. Quando pensamos a implementação de políticas públicas, no monitoramento dos impactos dessas políticas, nos caminhos para conhecermos nossa sociedade e os recortes mais próximos da realidade das pessoas, o Censo é a pesquisa com essa capacidade, destrinchando em cinco grupos específicos: brancos, pretos, amarelos, pardos e indígenas.
Quando analisamos nossas pesquisas amostrais, não conseguimos ter dados com a categoria preta de forma isolada, porque não é possível cruzá-los com outras variáveis. O Censo tem esse potencial de se conhecer enquanto sociedade brasileira e possibilitar que nós possamos ajudar quem cria políticas ao olhar a diversidade nacional e também nos municípios.
Quais são os principais achados do Censo?
A mudança de categoria com maior predominância no país. Em 2010, o Brasil tinha uma população com 47,7% que se autodeclarava branca, mas esse segmento caiu para 43,5%. Os pardos, em compensação, pularam de 43,1% para 45,3%. A categoria parda, que é investigada pelo Censo com as mesmas opções de respostas desde 1991, pela primeira vez na história do Censo assume a liderança na população nacional. Assim, pardos eram 82 milhões de brasileiros em 2010, e hoje são 92 milhões.
Houve uma variação positiva entre pretos?
Sim. Ela saltou de 7,6% para 10,2%. Quando nós olhamos esses quase 3%, em termos de variação absoluta, isso representa um crescimento de 6 milhões de pessoas. É um crescimento de aumento de contingente populacional bastante significativo.
Mas ainda são minoria entre pessoas acima de 75 anos
Os pretos concentram 70% do seu contingente nos grupos de idade entre 15 e 59 anos. É um dado interessante também para ser pensado do ponto de vista de critério de pertencimento e, claro, sociológico e antropológico. É uma população que nos mostra uma grande concentração de 30 a 44 anos, seguido de 15 a 29 anos e depois de 45 a 59 anos. É uma pirâmide mais estreita e muito diferente das outras categorias.


