O mês de abril foi o mais fraco para a indústria brasileira em três anos. É o que aponta levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta quinta-feira, 22. A pesquisa, que ouviu empresas de pequeno, médio e grande porte em todo o país, trouxe sinais de desaceleração em múltiplos indicadores do setor.
Índice de produção cai abaixo de 50 pontos e sinaliza retração
O índice de evolução da produção industrial recuou para 46,5 pontos em abril. Quando esse indicador fica abaixo da marca de 50 pontos, significa que o setor está em retração. Trata-se do pior desempenho para o mês desde 2023, evidenciando uma perda de fôlego significativa na atividade econômica industrial.
Capacidade instalada recua e emprego avança timidamente
A utilização da capacidade instalada também caiu, atingindo 69% — um ponto porcentual a menos do que o registrado em março. Esse dado reforça a tendência de desaquecimento observada no período.
Na frente do emprego, a CNI informou que houve leve avanço no número de trabalhadores na indústria. Contudo, a intensidade desse crescimento foi inferior à verificada nos meses anteriores. O índice de evolução do emprego ficou em 50,3 pontos — praticamente estável.
Empresários adotam postura cautelosa diante de incertezas
Os empresários do setor demonstraram cautela quanto ao cenário dos próximos meses. Em maio, os indicadores de expectativa para demanda, exportações e compras de matérias-primas apresentaram recuo.
Chamou atenção a queda no índice de expectativa de exportação, que baixou para 52 pontos. O resultado reflete a preocupação de parte da indústria com o ambiente externo e com medidas tarifárias adotadas por outros países.
Intenção de investimento também diminui
A entidade identificou redução na disposição de investir. O indicador de intenção de investimento caiu 1,1 ponto em relação ao mês anterior, atingindo 56 pontos. Apesar da queda, o número ainda permanece acima da linha de 50, o que indica que há alguma expectativa positiva — ainda que moderada — entre os industriais.
De modo geral, mesmo com a desaceleração, todos os índices de expectativa seguem acima dos 50 pontos. Isso sugere que a indústria brasileira projeta um crescimento modesto da atividade ao longo dos próximos seis meses, sem grandes impulsos de recuperação no curto prazo.



