Infarto fulminante cresce 150% no Brasil

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O número de internações por infarto no Brasil aumentou mais de 150% nos últimos 14 anos, conforme apontou um levantamento de dados do Instituto Nacional de Cardiologia (INC) com informações do Ministério da Saúde. Entre as principais causas, estão má alimentação, sobrepeso, diabetes e cigarro.

O cantor gospel Pedro Henrique, de 30 anos, morreu na noite desta quarta (13) ao sofrer um infarto fulminante enquanto fazia um show em Feira de Santana, na Bahia. Ele se apresentava ao vivo, com transmissão pelas redes sociais, quando passou mal e desmaiou ainda com o microfone na mão. O cantor chegou a ser levado até um pronto-socorro, mas não resistiu.

A causa da morte do cantor gospel, uma doença cardiovascular, é a principal causa de morte entre homens e mulheres no Brasil. De 2017 a 2021, 7,3 milhões de brasileiros morreram devido a doenças cardiovasculares.

Em todo o Brasil, para os homens, a média mensal saltou de 5.282 em 2008 para 13.645 internações por infarto em 2022 — um crescimento de 158,32% em 14 anos. Já entre as mulheres, o número cresceu de 1.930 para 4.973 (+157,59%).

Em São Paulo, estado do Brasil com maior população, a média mensal de internações por infarto foi de 18.856 em 2008 para 43.472 em 2022, (+130,55%). Em Minas Gerais, segundo estado mais populoso, a média foi de 8.751 para 18.856 (+115,47%).

Coordenadora do estudo e diretora do INC, a cardiologista Aurora Issa cita as prováveis causas da elevação do número de infartos no país nos últimos anos:

  • Envelhecimento populacional
  • Aumento da obesidade, causada pelo sedentarismo e alimentação inadequada.

As observações também estão no levantamento do INC no Sistema de Internação Hospitalar do DATASUS, do Ministério da Saúde. A abrangência são todos os pacientes brasileiros do SUS (em hospitais públicos e hospitais privados que têm convênio com o SUS), o que representa de 70% a 75% do total de pacientes no Brasil.

Causas do infarto fulminante

O infarto fulminante acontece, normalmente, por conta de um coágulo sanguíneo que obstrui as artérias e interrompe o fluxo sanguíneo de forma súbita e intensa.

Os fatores de risco levam em consideração um estilo de vida mais sedentário e menos saudável em relação à alimentação e sono. Ainda, homens são mais propensos a infartarem do que mulheres, conforme aponta Mateus Veloso, cardiologista do Sírio-Libanês em Brasília.

Segundo o especialista, os fatores de risco são:

  • Histórico familiar;
  • Má alimentação;
  • Obesidade;
  • Diabetes;
  • Hipertensão;
  • Sedentarismo;
  • Restrição de sono;
  • Tabagismo.

Além disso, o especialista acrescenta à lista outro fator que ascende entre os mais jovens que buscam o corpo “ideal” por meio de ingestão de hormônios esteroides em doses além do indicado para seu corpo.

“Tem a questão de abuso, na tentativa de acelerar o processo na busca por atingir o ‘corpo ideal’, do uso de hormônios em dose além da fisiológica. Isso é potencialmente favorece a formação de placas [nas artérias] e mesmo de um infarto”, explica.

Como acompanhar o entupimento das artérias?

Os exames que auxiliam o paciente a monitorar e prevenir o entupimento das artérias são aqueles que medem o nível do colesterol e da glicemia no sangue, principalmente, e devem ser feitos regularmente em check-ups. “São dois fatores que, quando alterados, aumentam muito o risco de um infarto”, diz.

Além desses, há exames complementares que são realizados quando já se tem alguma suspeita sobre o assunto, como eletrocardiograma em repouso e ecocardiograma. “E, eventualmente, a depender do risco do paciente, pedimos outros exames que permitem completar a investigação da doença cardiológica”, aponta.

Veloso diz que, a princípio, a formação de placas nas paredes das artérias não são reversíveis. “Formar placa é um processo que faz parte da história da vida. Independente dos fatores de risco, quando chegar aos 80 anos, por volta de um terço dos homens e um quinto das mulheres vão ter placas moderadas. Por si só, ter placa não é um problema maior”.

A investigação e acompanhamento são necessários, portanto, para se ter um acompanhamento da progressão do entupimento. “A gente só tem maiores problemas quando essas placas já estão maiores. A preocupação é deixar essa placa o mais estável possível e impedir que ela cresça”, diz. Isso é feito via administração dos fatores de risco. (Valor Econômico)