IPHAN inicia obras emergenciais na Casa de Pernoite Ferroviária de 1910 em Piratuba

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A Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em Santa Catarina iniciou ações emergenciais para a proteção da Casa de Pernoite Ferroviária, localizada no distrito de Uruguai, em Piratuba, no meio-oeste catarinense. O investimento inicial é de pouco mais de R$ 440 mil. A empresa vencedora do pregão, com sede em Curitiba (PR), já deu início aos trabalhos.

Conforme o contrato firmado, a intervenção será executada em duas etapas. A primeira contempla serviços de roçada, capina, retirada de entulho, drenagem e fechamento de vãos. A segunda prevê o fornecimento e a instalação de uma cobertura metálica treliçada, com lona laminada de PVC reforçada com tecido de poliéster, medindo 20 por 25 metros.

De acordo com o IPHAN, a contratação decorre da necessidade de proteger a Casa de Pernoite Ferroviária de Uruguai das intempéries, reduzindo o ritmo de degradação da edificação — atualmente com o telhado arruinado — até que haja recursos disponíveis para sua restauração integral.

O memorial descritivo que embasou o pregão foi elaborado pela engenheira Cristiane Galhardo Biazin. Em síntese, as ações previstas no local incluem:

  • Execução de cobertura provisória sobre toda a área da edificação, de forma independente, mantendo a cobertura remanescente existente, além da elaboração do projeto executivo da estrutura;

  • Fechamento provisório dos vãos de portas e janelas voltados para a área externa, preservando guarnições e aberturas remanescentes;

  • Remoção de entulho existente no interior da edificação, no hall de entrada e na área externa adjacente;

  • Remoção de toda a vegetação no interior do prédio e no hall de entrada;

  • Roçada, capina e aplicação de brita sobre manta geotêxtil no pátio externo adjacente à edificação.

A Casa de Pernoite Ferroviária está localizada às margens da estrada de ferro, sem acesso direto por via pública. Uma placa afixada no imóvel indica que a construção data de 1910. O local funcionava como parada obrigatória para descanso durante a troca de turnos de maquinistas e demais trabalhadores ferroviários que atuavam na região.

Com arquitetura característica do início do século XX, o chamado “Pernoite” operava como uma espécie de hotel para ferroviários. Em razão da intensa movimentação de trens, o comércio local se desenvolveu significativamente nas imediações.

A Sadia, por exemplo, mantinha um ponto de venda próximo ao Pernoite, destinado à comercialização de produtos que eram distribuídos para diversas regiões do país. O distrito de Uruguai prosperou a partir desse complexo ferroviário, formado pela Casa de Pernoite, pela estação e por uma grande e relevante oficina de trens. No local, eram realizadas trocas de cargueiros e cargas das composições da Rede de Viação Paraná–Santa Catarina (RVPSC) e da Viação Férrea do Rio Grande do Sul (VFRGS).