O valor está exatamente no limite da neutralidade (-0,4ºC a +0,4ºC) com El Niño fraco (+0,5ºC a +0,9ºC), mas os dados diário de hoje já apontam a anomalia de temperatura do mar nesta área do Pacífico em +0,6ºC. Por outro lado, a região Niño 1+2, perto das costas do Equador e do Peru, que costuma impactar as precipitações e a temperatura no Sul do Brasil em qualquer época do ano, estava com anomalia de +2,0ºC, em nível de El Niño costeiro forte a muito forte.
POR QUE AINDA NÃO HÁ EL NIÑO? A anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 atingiu pela primeira vez patamar de El Niño na metade de maio, entretanto ainda não se pode ainda afirma que um evento de El Niño tenha começado no Oceano Pacífico. Anomalias positivas de ao menos 0,5ºC no Pacífico Equatorial Centro-Leste são necessárias para a caracterização de um El Niño, contudo por si só não são suficientes. São necessárias várias semanas consecutivas com aquecimento de no mínimo 0,5ºC nesta parte do Pacífico para que se declare um El Niño. Mas não apenas isso. Como o El Niño é um fenômeno oceânico-atmosférico é preciso ainda que a atmosfera na região passe a se comportar como em El Niño. Até recentemente, não havia qualquer sinal de que a atmosfera estava migrando para uma fase do fenômeno. Um dos indicadores é o chamado Índice de Oscilação Sul (SOI em Inglês). É preciso que seja fortemente negativa para indicar mudanças na circulação de Walker, mas nos últimos meses esteve perto da média com -1,8 em março e -1,2 em abril. Mas mudanças começam a ser vistas. A SOI média de maio despencou para -15,2, que é muito baixa e totalmente condizente com uma condição de El Niño
El Niño pode causar maior perda econômica da história, diz estudo
Caracterizado pelo aquecimento de uma faixa de água do oceano que percorre a América do Sul à Ásia de três em três anos, o El Niño está previsto para acontecer em torno de junho deste ano, causando perdas econômicas 100 vezes mais caras do que o imaginado.
Um estudo feito por Cristopher Callahan e Justing Mankin, da Universidade de Dartmouth, e publicado na revista “Science”, examinou os custos gerados à longo prazo pelo El Niño desde seu primeiro registro, apresentando um custo médio de cerca de US$ 3,4 trilhões (aproximadamente R$ 16, 8 trilhões).
Em 2023, o fenômeno deverá provocar um rombo de US$ 3 trilhões (R$ 14, 8 trilhões) na economia global até 2029.
“Podemos dizer com certeza que sociedades e economias não apenas sofrem um golpe e se recuperam. Nos trópicos e lugares que sofrem os efeitos do El Niño, você obtém uma assinatura persistente durante a qual o crescimento é retardado por pelo menos cinco anos”, disse Cristopher Callahan.
Os pesquisadores examinaram durante dois anos o desempenho da atividade econômica global após os fenômenos de 1982-1983 e 1997-1998, concluindo a existência de uma desaceleração no crescimento da economia mais de cinco anos após o acontecimento do El Niño.
Se houve uma perda de US$ 4,1 trilhões (aproximadamente R$ 20,3 trilhões) cinco anos após o evento, um total de US$ 5,7 trilhões (R$ 28, 2 trilhões) foi perdido na versão seguinte.
Tendo em vista a maior frequência das mudanças climáticas geradas pelo aquecimento global, além das consequências adicionais dos gases do efeito estufa, que podem ampliar a força dos futuros El Niños, os autores do estudo estimam que as perdas econômicas do século 21 aproximem-se do valor de US$ 84 trilhões (R$ 415,8 trilhões) .
“Nossos modelos climáticos têm sérios preconceitos quando se trata do El Niño na amplitude do Oceano Pacífico. Muito mais ciência precisa ser feita para saber exatamente como o El Niño vai mudar em meio ao aquecimento global. Mas enquanto nos aproximamos de outro El Niño esse ano, que pode nos trazer o ano mais quente da história, nossos resultados demonstram que os pedágios socioeconômicos sobre esses eventos não podem ser exagerados”, conclui Callahan.
(Com informações da MetSul e da CNN Brasil)



