Uruguaiana – A Justiça aceitou a denúncia contra Guilherme Pansardi Grisóstimo, acusado de matar a companheira grávida logo após ter sido solto pela polícia em Uruguaiana, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, em fevereiro. O acusado se tornou réu por feminicídio no dia 3 de março.
A advogada Jo Ellen Silva da Luz, que representa Guilherme, afirmou que este é “um processo bastante complexo e com fatos pesados”, e que “a intenção principal da defesa é estudar o caderno de provas e produzir provas que favoreçam a condição” do réu.
Segundo o Tribunal de Justiça, o processo de feminicídio aguarda oferecimento de resposta à acusação pela defesa do acusado.
De acordo com a investigação, Kelly Lidiane Moreira, de 36 anos, foi morta pelo companheiro logo depois de ele ter sido liberado pela polícia após registro de tentativa de agressão, na madrugada de 12 de fevereiro. Ela esteve na delegacia para relatar a ocorrência horas antes, na noite de sábado (11).
O caso
De acordo com a Polícia Civil, a delegada de plantão determinou, diante da situação que foi repassada, “o registro de ocorrência e o encaminhamento de medidas protetivas de urgência, por entender, dentro da discricionariedade das suas funções, que, naquele momento, não havia elementos que justificassem a autuação em flagrante”. Por essa razão, o suspeito não foi preso no dia 11.
A delegada Amanda Andrade informou que “a vítima em princípio não queria ir à delegacia, tendo sido convencida por familiares a comparecer”. Na delegacia, “inicialmente não queria fazer o registro na unidade policial, mas foi devidamente orientada a solicitar medida protetiva e a fazer o registro da ocorrência”. Ela destaca que, naquela madrugada, foi encaminhado à Justiça um pedido de medida protetiva de urgência.
Familiares da vítima sustentam que as agressões aconteciam, mas o marido ameaçava atear fogo na casa se ela o denunciasse. O casal vivia junto há pelo menos um ano.
Após o registro da ocorrência, a vitima voltou para casa, retirou os pertences do agressor e foi para a residência de um parente que fica na mesma rua. Segundo uma testemunha, ele teria voltado para buscar esses pertences, e a vítima teria saído para frente dessa casa para conferir se ele já havia ido embora.
Neste momento, ele foi atrás dela. A vítima tentou fugir, mas foi morta com pelo menos quatro golpes de faca pelas costas. Kelly foi socorrida pela Brigada Militar (BM), mas morreu a caminho da Santa Casa de Uruguaiana.
A BM estava próximo ao local, prendeu o autor em flagrante, que permanece preso na Penitenciária Modulada de Uruguaiana. De acordo com a Polícia Civil, o pedido de conversão da prisão em flagrante em preventiva foi aceito pelo Justiça.
Segundo a Polícia Civil, o prontuário médico da vítima apontava que ela estava grávida, mas somente o laudo da necropsia vai poder informar o tempo de gestação. Ela deixa quatro filhos com idades entre 5 e 17 anos.
Apuração interna
O homem só foi preso depois de matar a mulher. O pedido de medida protetiva para Kelly foi encaminhado ao Judiciário e, segundo o Tribunal de Justiça, o procedimento chegou ao fórum cerca de meia hora depois do crime.
A Polícia Civil apura se houve erro na soltura do suspeito. “Era uma situação, pelos elementos que a gente tem, de flagrante. Quais as informações que chegaram até a delegada para ela entendesse não lavrar o flagrante? Isso vai ser apurado na sindicância”, diz Nedson Ramos de Oliveira, diretor do Departamento de Polícia do Interior. (g1)



