A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público e tornou ré a influenciadora e advogada Deolane Bezerra pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A decisão foi assinada pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, no interior paulista, e divulgada nesta quinta-feira (18).
Além de Deolane, a Justiça também transformou em réus Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e outros quatro investigados citados na denúncia do Ministério Público.
Segundo a investigação, o grupo teria participado de um esquema de ocultação e movimentação de recursos supostamente ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com os promotores, a organização utilizava empresas e pessoas de confiança para movimentar valores e inserir os recursos na economia formal.
O que muda com a decisão
Ao aceitar a denúncia, a Justiça inicia oficialmente a ação penal contra os acusados. No entanto, a decisão não representa uma condenação.
A partir de agora, o processo entra na fase de produção de provas, coleta de depoimentos e apresentação das defesas. Somente ao final da instrução processual o Judiciário decidirá se os réus são culpados ou inocentes.
Além disso, o magistrado manteve a prisão preventiva de Deolane Bezerra e rejeitou o pedido da defesa para transferi-la a uma Sala de Estado-Maior ou substituir a detenção por prisão domiciliar.
Atualmente, a influenciadora está presa na cidade de Tupi Paulista desde 21 de maio de 2026.
Ministério Público aponta movimentação de recursos
A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), núcleo de Presidente Prudente. O documento foi assinado pelo promotor Lincoln Gakiya e outros seis integrantes do Ministério Público.
Conforme a acusação, familiares e pessoas próximas aos líderes da facção recebiam orientações para administrar valores obtidos de forma ilícita por meio de uma empresa de transportes.
Ainda segundo os promotores, parte desses recursos teria sido destinada a contas ligadas a Deolane Bezerra, Everton de Sousa e Paloma Sanches Herbas Camacho.
Além disso, relatórios de inteligência financeira, quebras de sigilo bancário e fiscal e outras diligências teriam identificado mecanismos utilizados para ocultar a origem do dinheiro e dar aparência de legalidade aos recursos.
Defesa contesta acusações
As defesas dos investigados negam qualquer envolvimento com os crimes apontados pelo Ministério Público.
Em nota, os advogados de Marcola, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho afirmaram que os acusados contestam integralmente as acusações e que apresentarão provas para demonstrar a legalidade das operações financeiras mencionadas na denúncia.
Os defensores também argumentam que o vínculo familiar entre alguns dos denunciados não pode ser utilizado como prova de participação em atividades criminosas.
Caso segue para fase de instrução
Com a abertura da ação penal, a Justiça dará continuidade à análise do caso. Nos próximos meses, acusação e defesa deverão apresentar provas e argumentos para sustentar suas versões.
Enquanto isso, Deolane Bezerra permanece presa preventivamente, e os demais investigados continuarão respondendo ao processo conforme as determinações judiciais.





