Lideranças de Jaborá participam de audiência pública sobre a crise do leite na Alesc

Política

Jaborá – Lideranças políticas de Jaborá participaram nesta quarta-feira (12) de uma movimentada e importante audiência pública sobre a crise do leite promovida pela Assembleia Legislativa em Florianópolis. A comitiva esteve representada pelos vereadores da bancada do PP, Ronei Rodrigues e Marciane Gavazzoni, juntamente ao vice-prefeito Carlos Cassiano, todos do Partido Progressista.

A crise no setor leiteiro catarinense chegou ao centro da política estadual. A Assembleia Legislativa decidiu criar um Grupo de Trabalho para buscar soluções emergenciais e estruturantes para a cadeia produtiva, abalada pela queda de preços e pela alta nos custos de produção.

A medida foi definida durante uma audiência pública que reuniu mais de 700 pessoas no Auditório Antonieta de Barros, em uma das maiores mobilizações já realizadas pelo setor rural no estado.

Convocada pelo deputado Altair Silva (PP), presidente da Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural, a audiência reuniu agricultores, prefeitos e representantes de entidades cooperativas e patronais, todos preocupados com o esvaziamento da atividade.

A iniciativa traduz uma resposta política à insatisfação crescente no campo e marca a tentativa da Alesc de assumir
protagonismo em uma crise que ameaça milhares de famílias.

Custo em alta e preço em queda no campo

Os relatos apresentados durante a audiência expuseram um cenário de desequilíbrio econômico. O aumento dos custos com energia, transporte e insumos, especialmente a ração, compromete a sustentabilidade das propriedades.
Ao mesmo tempo, o preço pago ao produtor caiu a níveis considerados insustentáveis, comprimindo margens e
eliminando renda. “O produtor está pagando para trabalhar”, alertou Altair Silva, ao defender ações urgentes de proteção e incentivo.

Representantes de cooperativas e associações destacaram que a crise não é pontual: reflete problemas estruturais na
política de preços e na falta de apoio técnico e creditício. O esvaziamento do campo, argumentaram, tende a se tornar irreversível, pois quem abandona a atividade dificilmente retorna a ela.

União entre política e setor produtivo

O debate contou com ampla presença institucional. Além do presidente da Alesc, deputado Julio Garcia, participaram os deputados federais Carlos Chiodini, Daniela Reinehr e Valdir Cobalchini, e lideranças como José Zeferino Pedroso (Faesc), Marcilei Vignatti (Uvesc), Vanir Zanatta (Ocesc) e Selvino Giesel (Sindileite).

A diversidade de vozes reforçou o caráter coletivo da mobilização e a tentativa de aproximar governo e produtores em
torno de um plano de reconstrução. O ambiente político revelou sintonia rara entre diferentes correntes partidárias, unidas pela urgência de reagir a uma crise que ameaça não apenas a economia rural, mas a estabilidade social de dezenas de municípios. Para muitos, o encontro simbolizou um ponto de inflexão: de um problema setorial, o tema passou a ser tratado como questão de Estado.

Grupo de Trabalho assume missão estratégica

O Grupo de Trabalho do Leite será composto por parlamentares, lideranças do agronegócio e prefeitos de regiões
afetadas. Entre os nomes confirmados estão Altair Silva, José Zeferino Pedroso, Marcilei Vignatti, os prefeitos Serginho Besen (Ibicaré) e Chico Folle (Xaxim), além dos deputados federais Chiodini e Cobalchini.

A missão do GT é consolidar propostas e negociar diretamente com o governo federal medidas de apoio à produção. O grupo pretende apresentar, nas próximas semanas, um conjunto de ações articuladas entre União, Estado e municípios. As medidas devem incluir estímulos fiscais, revisão de políticas de importação e fortalecimento da assistência técnica. O objetivo é garantir competitividade e renda ao produtor. Mais do que reagir a uma emergência, a intenção é criar bases para uma política de longo prazo que reduza a vulnerabilidade do setor a oscilações de mercado.

Futuro do leite e permanência no campo

Santa Catarina reúne cerca de 20 mil famílias que têm no leite sua principal fonte de renda. O avanço da crise, se não
contido, pode resultar em êxodo rural e perda de capacidade produtiva regional. O desafio é impedir que o desânimo se transforme em abandono definitivo da atividadeprocesso que ameaça o equilíbrio econômico de muitas cidades do interior.

Ao instituir o grupo de trabalho, a Alesc tenta transformar um problema setorial em política pública de Estado, capaz de sustentar o produtor e evitar o colapso social. O futuro da cadeia leiteira dependerá, agora, da efetividade das ações conjuntas entre governo, cooperativas e municípios. O campo aguarda que o diálogo aberto no plenário se converta, enfim, em soluções concretas.

Contatos

Aproveitando a passagem pela Capital do Estado, os vereadores Ronei e Marciane ainda visitaram o secretário da Casa Civil, Kennedy Nunes e o gabinete do deputado Altair Silva.