“Lula deveria ficar calado e deixar a negociação para o Itamaraty”, diz ex-ministro da Fazenda

Política

O economista e ex-ministro da Fazenda, Mailson da Nóbrega, classificou como “gravíssimo” o atual momento das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, marcado por atritos diretos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano, Donald Trump.

Segundo Mailson, a escalada retórica e o anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros representam uma ameaça concreta à economia nacional.

O economista e ex-ministro da Fazenda, Mailson da Nóbrega, classificou como “gravíssimo” o atual momento das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, marcado por atritos diretos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano, Donald Trump. Segundo Mailson, a escalada retórica e o anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros representam uma ameaça concreta à economia nacional.

“A tarifa pode matar a economia do país”, alertou o ex-ministro, em entrevista nesta quinta-feira (18). Ele ressaltou que o cenário envolve um interlocutor imprevisível. “O mundo está lidando com um homem louco, megalomaníaco e que tem poder. Como ele mesmo disse: ‘Eu fiz a tarifa de 50% porque eu posso’. E ele tem razão.”

Mailson criticou a carta de Trump citando o ex-presidente Jair Bolsonaro, publicada em rede social, seu julgamento à imposição das taxações. “Não se comunica tarifa através de carta, muito menos se divulga em rede social dizendo que o objetivo é interferir num processo judicial. Isso nunca aconteceu na história do comércio internacional.”

Para o economista, a resposta do governo brasileiro deve priorizar a diplomacia. “Lula deveria ficar calado nesse momento e deixar a negociação com os profissionais do Itamaraty, com o apoio de empresários e membros experientes do governo. Estamos lidando com chantagem em escala internacional.”

Caso as tarifas entrem em vigor em 1º de agosto, Mailson prevê prejuízos significativos. “A Embraer estima perdas de R$ 50 milhões por avião. Produtos como o suco de laranja também serão impactados. Não dá para redirecionar esse comércio da noite para o dia.”

E finaliza: “Sinceramente, não sei como essa negociação vai acabar. Mas este é, sem dúvida, um momento muito grave para o comércio exterior do Brasil.” (Times Brasil)