Mãe que morreu em enchente no RS deixa nove filhos orfãos, e mais velha tentará adotar irmãos

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Jaqueline Medianeira Fagundes, de 45 anos, é a mais recente vítima identificada da enchente no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul. Ela deixou nove filhos. O corpo da mulher foi encontrado por volta das 16h de terça-feira (19) por bombeiros de Bento Gonçalves e de Porto Alegre.

O corpo estava dentro de um carro, com cinto de segurança. O veículo, um Escort prata, foi achado a cerca de 300 metros da ponte de Santa Bárbara, na cidade de São Valentim do Sul, que foi levada pela chuva.

De acordo com o delegado Álvaro Becker, junto com o corpo dela estava um talão de cheques em nome de Rogério Godofredo de Oliveira, 37 anos. O homem era namorado de Jaqueline e o corpo dele foi encontrado em Santa Tereza, no último dia 6, nas margens do Rio Taquari.

Rogério havia comprado o carro, um Escort, na véspera. Jaqueline acompanhava o namorado, que trabalhava como gesseiro e estava a caminho de um serviço na região quando ocorreu o acidente.

Apesar de ter sido encontrado no dia 6, o corpo de Rogério só foi identificado no dia 8. Foi então que a mãe dele comunicou a família de Jaqueline que, provavelmente, ela estaria entre as vítimas da enchente. Até então, a filha mais velha e os irmãos tinham a esperança de que a mãe e o namorado estivessem apenas incomunicáveis.

A hipótese de que o carro pudesse ter caído no Taquari foi reforçada por câmeras de segurança que captaram o Escort deixando a cidade antes do temporal. Todavia, o carro passou duas semanas afundado até que a tragédia se confirmasse.

Sepultamento e comoção para adotar crianças

A morte de Jaqueline dá novo rumo a um drama familiar já em andamento. Os filhos de Jaqueline são de três relacionamentos diferentes. As três filhas mais velhas, do primeiro relacionamento, já haviam saído de casa. Jaqueline morava com dois filhos homens.

Dos quatro filhos mais novos, um estava aos cuidados de uma madrinha. Os três outros foram recentemente encaminhados a uma casa de acolhimento até que Jaqueline se reestabelecesse de uma crise financeira que a levou a ter luz e água cortados.

Após o sepultamento de Jaqueline nesta quarta (20), a filha mais velha dela, Tainara Letícia da Silva, 28 anos, disse que pedirá a guarda dos três irmãos mais novos: uma menina de 13 anos e dois meninos de 7 e 8 anos. A madrinha de uma das crianças também manifestou a intenção de buscar a guarda de sua afilhada. A família mora em Guaporé (RS), na serra gaúcha.

Tainara planeja contar com as redes de assistência social instaladas na região após a catástrofe e mobilizar a comunidade para ajudar sua família neste período doloroso. Antes mesmo do desastre, a família já enfrentava dificuldades financeiras, tornando a situação ainda mais desafiadora.