Mais de 70% dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes ocorrem dentro de casa

Segurança

O distanciamento social que se fez necessário diante da pandemia do novo coronavírus deixa exposta uma parcela da sociedade ao perigo do abuso e da exploração sexual. Violência que ocorre, em 73% dos casos, na casa da própria vítima ou do agressor e é cometida pelo pai ou padrasto em 40% das denúncias, conforme levantamento realizado pela Organização das Nações Para os Direitos Humanos (ONDH) e citado nesta segunda-feira pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Neste 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o assunto ganha destaque para alertar sobre a importância de observar mais e denunciar os possíveis casos. Alva Moretto, presidente do Fórum Municipal pelo Fim da Violência e da Exploração Sexual Infantojuvenil de Xanxerê, explica que como neste ano não será possível realizar os eventos de orientação que haviam sido programados, o fórum buscou o meio on-line para alertar sobre a violência e sobre os canais de denúncia disponíveis.

– Agora com essa maior convivência com familiares e vizinhos, esse número [de casos de violência sexual) pode ser ainda maior. Então sempre que qualquer pessoa, tanto criança ou adulto, perceber algo diferente no comportamento da criança ou que ela relate algo, que faça a denúncia através do disque 100, ou com o Conselho Tutelar, ou com a polícia. Tem vários canais para que se faça a denúncia. É necessário ficar atento aos sinais que podem ser apresentados pela vítima – disse Alva.

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos destacou ainda que nos casos de violência sexual o suspeito é do sexo masculino em 87% dos registros e, igualmente, de idade adulta, entre 25 e 40 anos, para 62% dos casos. A vítima é adolescente, entre 12 e 17 anos, do sexo feminino em 46% das denúncias recebidas.