Média diária de casos de Covid-19 em SC chega a 2,3 mil e estado ainda não chegou ao pico, dizem especialistas

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Estado – Santa Catarina está próxima dos 100 mil casos de Covid-19. Segundo o mais recente boletim divulgado pelo governo do estado, com data de quinta-feira, dia 6, 98.634 pessoas já contraíram a doença. Do total, 1.357 morreram, 85.913 estão recuperadas e há 11.364 pacientes ativos, ainda infectados.

Do último domingo até esta quinta, uma média de 2,3 mil casos foi divulgada por dia pelo governo estadual. Significa que, somente nos últimos cinco dias, 11,7 mil pessoas tiveram os diagnósticos confirmados para o vírus em Santa Catarina. E a tendência, segundo especialistas, não é de estabilidade.

Conforme o geógrafo Eduardo Werneck Ribeiro, professor do Instituto Federal Catarinense e integrante da Rede Nacional de Geógrafos para Saúde, ainda não é possível prever em que momento o estado vai chegar ao pico e, consequentemente, ao platô – fase em que os números estabilizam no alto e antecede a queda.

No entanto, o especialista lembra que a curva fica cada vez mais inclinada. “Não vai acabar nem em setembro, o que nos parece que está se desenhando. (A curva) está mais para um pico Everest do que para uma chapada”, diz o geógrafo, comparando a montanha de maior altitude do mundo e uma área de menor elevação.

Especialistas dizem que pandemia segue em ascensão em SC (Foto: Divulgação)

Epidemiologista e professor do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina, Lúcio Botelho afirma que é difícil avaliar um cenário futuro com o atual panorama do estado, que varia entre novos decretos com medidas mais rígidas de enfrentamento ao vírus e flexibilizações. “Em tese, a gente deveria tender a uma estabilidade. Eu diria que estamos numa tendência de ida ao platô, mas não creio que já chegamos ao ápice”.

A taxa de isolamento social divulgada na última quarta-feira, dia 5, estava em 34,6% em Santa Catarina. O ideal, no período de pandemia, é ficar acima de 60%, segundo já avaliou a Secretaria de Estado da Saúde, o que ocorreu somente em março.

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse em entrevista à NSC que Santa Catarina enfrenta uma fase de “transmissão intensa” do novo coronavírus. “Eu acredito que vocês [em Santa Catarina] passam julho e passam um bom período de agosto até virem para uma situação de chegar próximo ao nível em que esse vírus consegue ter um pouco mais de equilíbrio com o sistema imunológico das pessoas”.

Disseminação por regiões

A disseminação do vírus em Santa Catarina ocorreu de maneira distinta. Primeiro, se espalhou pelo Litoral, com epicentros na região de Joinville, Itajaí, Florianópolis, Tubarão e Criciúma, um eixo interligado pela BR-101 que facilita a circulação de pessoas que trabalham e moram em cidades diferentes.

Depois, em abril, foi no Oeste que começou uma explosão de contágio, especialmente no eixo Concórdia-Chapecó-Xanxerê. A região por semanas se tornou a mais crítica do estado. A partir de julho cresceram os casos no Planalto Norte e na Serra, que até então ostentavam a maioria dos municípios livres da covid-19. Hoje há apenas duas cidades sem casos: Urupema, na Serra, e Barra Bonita, no Oeste.

Onde estão os casos ativos

Apenas 22 cidades das 293 que já registraram pelo menos um caso de covid-19 não apresentam mais nenhum paciente em tratamento contra a doença. Há casos ativos em todas as regiões do estado, portanto, com possibilidade de continuar transmitindo o vírus, com mais incidência nas microrregiões de Joinville, Blumenau, Itajaí, Grande Florianópolis, Lages, Concórdia, Chapecó, Criciúma e Tubarão. (Com informações do Diário Catarinense)