Moraes determina entrega de passaportes e proíbe Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil

Política

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) entregue seus passaportes e está proibido de deixar o Brasil. A decisão foi assinada na noite deste domingo, dia 25, em uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz.

Além da proibição de contato entre Flávio Bolsonaro e Tomaz, Moraes determinou o cancelamento de todos os passaportes brasileiros do senador, incluindo o diplomático. Ele também deverá entregar, no prazo de 24 horas, eventuais passaportes de outras nacionalidades.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro afirmou que foi intimado pela Polícia Federal (PF) a entregar os documentos e contestou a justificativa da decisão.

“Eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país. A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23/10 que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição, eu nunca falei isso”, declarou.

Investigação apura suspeita de lavagem de dinheiro

A investigação começou na primeira instância da Justiça Federal do Rio Grande do Sul e apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e utilização de empresas ligadas a casas de apostas em um suposto esquema.

Durante as apurações, a Polícia Federal identificou e-mails que indicariam que Flávio Bolsonaro foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, pertencente ao advogado Willer Tomaz.

Segundo relatório da PF, essa condição poderia permitir ao senador um nível elevado de acesso e gerenciamento da conta. Um e-mail de maio de 2025 também indicaria que Tomaz solicitou a exclusão do acesso de Flávio à conta.

A investigação aponta ainda uma relação de proximidade entre os dois. Entre os elementos identificados pelos policiais estão registros de festas, encontros e reuniões, além de documentos pessoais relacionados ao senador encontrados no armazenamento em nuvem de Tomaz.

Outro ponto levantado pela PF envolve viagens de Flávio Bolsonaro custeadas pela empresa Cathedral, também ligada ao advogado.

A Cathedral e a Alcazar Holdings tinham o mesmo endereço na Ilha da Madeira, em Portugal. A empresa Cathedral também é proprietária da Best Bet, da Rede Loto, apontada pela polícia como a primeira casa de apostas habilitada a atuar no Rio de Janeiro, em 2023.

Por ser senador, Flávio Bolsonaro tem foro especial no STF. Em 8 de outubro, o caso foi encaminhado à Corte, e Alexandre de Moraes foi sorteado como relator.

Jatinho utilizado em viagem

Outro elemento da investigação envolve uma aeronave utilizada por Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz em uma viagem de Fort Lauderdale, na Flórida, nos Estados Unidos, para o Brasil, em janeiro de 2025.

O avião, um Legacy 650, de prefixo PP-NLR, tinha três proprietários na época: a Alcazar Holdings, de Tomaz; Laerte Cosentino, proprietário da empresa Totvs; e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, por meio da empresa Prime You, responsável também pela administração do uso compartilhado da aeronave.

Willer Tomaz também é investigado pela Polícia Federal em outra apuração, que envolve o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e familiares dele.

Em agosto, o advogado foi alvo de mandado de busca e apreensão. Os investigadores apuram possíveis movimentações financeiras e patrimoniais que teriam sido utilizadas para ocultar recursos ligados ao parlamentar.

Na investigação, a PF descreveu Tomaz como uma possível estrutura de sustentação financeira e patrimonial do senador, envolvendo empresas, imóveis, aeronaves e outros operadores.

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